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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

AO RIO QUE CORRE

AO RIO QUE CORRE

Gastei um rio para te ver. Afundei margens na terra mansa, escavei brisas sobre as águas folheando vagas em ouro de entardeceres, risquei brumas nas pálidas sombras da claridade turva das chuvas, onde o brilho de estrelas cravejava citinlante choro a lembrar orvalho de amanheceres nascidos para te sentir.
Sei dos silêncios que me escondes onde a tua ausência soluça a clareira dos impossiveis, as esperas prometidas a um tempo sem mensagem, e ainda que eu possa inventar todos os consolos e cenários imagináveis, sabes que fico sempre só, o olhar parado fitando o o nada, a espera onde nunca vais chegar.
Ungi as mãos na nascente da saudade. Fiz-me a um caminho até à foz, onde não sei mais das alamedas abraçadas de plátanos, amoreiras, tilias e gravatas de roseiras bravas a nascer dos canteiros quase sepultura dos sonhos por florir.
Não chegam altares nem cirios acesos de lágrimas e risos e rendas e folhos e cambraias a forrar as lembranças do temporal que se abate sobre as palavras onde nenhum lugar lá quis ficar mais do que verso ou poemas na prosa enfeitada de memórias e gritos. Talvez seja o rio a correr nas enchentes que brindam a Primavera da vida e renascem as rosas desabrochadas de lamentos quando sinto a tua falta.
Se um dia voltasses e o barqueiro te deixasse passar. Todas as tardes, faço manhãs como se o dia fosse a moeda paga por esse delito, e deixo na ombreira da porta do desassossego como que aberta às águas que correm os detritos dos sonhos, as mágoas húmidas esquecidas, perco-me nos dias que ainda não vivi e fujo das recordações guardadas no pranto dos sentidos.
...

musa

1 comentário:

Anónimo disse...

Amuthu.

Pedro da Lupina