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terça-feira, 4 de março de 2014

UMA RUA DENTRO DAS MINHAS ESCADAS

Ainda que haja três andares e um elevador
Por dentro do prédio onde habito
Do rés-do-chão ao telhado
As paredes de tijolo avermelhado
Têm das telhas a mesma cor
Um tom velho e bonito
Quase parece uma flor

Sobem e descem as escadas a correr
Crianças adultos e cães
Uma rua dentro das minhas escadas
Degrau a degrau parecem dizer
De mão dada com as mães
As crianças não o querem ser
E as mães demasiado apressadas
Levam pela mão sem o saber
Degraus da sabedoria
Até um dia compreender
Esta intenção alegoria

Há vida por dentro do prédio a escorrer
Um sangue vivo de doce fantasia
Um sangue novo de ternura e alegria
Um sangue pungente e fulgurante
A subir e a descer escadas escondidas
De um presente que passado será distante
Crianças animais e gentes tão queridas
Dão vida à vida que sobe e desce interior
Do prédio que aloja os meus sentidos
E eu vejo tudo com espanto e muito amor
Sonhando acompanhar esses meninos já crescidos
Até que a vida me feche os olhos a esse esplendor
De tantos dias assim vividos
musa 

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