Cartão de Visita do Facebook

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sonetos da MORTE - King Crimson " Fallen Angel"



MORTE DOR

Toquei-te os lábios fria e leve
A roçar-me os dedos no sepulcro
A saciar-me a alma de infinita sede
Na fonte estranha do oculto

Tive em mim teu rosto demorado
Por breves instantes do sentir
Como se a dor tivesse voltado
Na mais latente forma de existir

O teu cheiro de cera ardente
De flores mortas em eterno leito
No espelho olhar que vida consente

Forma cruel e feia solta pranto olhar
Ferindo desalmada dor no peito
Que a adaga da morte parece cravar
musa

CANTO DA MORTE

Não peço se não que a vida seja breve
Do corpo cansado mais nada temo
Angustia e pranto pesado e leve
Levado ao martírio insano extremo

Os dias que vivi são já defuntos
Em enterro de horas em campa rasa
Sobram-me meses que assim todos juntos
Sepultam a dor que do olhar se vaza

Estranha forma de vida que viver é morrendo
Nos braços abertos de infinito tempo
Do corpo moribundo a morte renascendo

Meiga morte enraizada no doce sentir
Que apelo sussurro canto parece o vento
Varrendo de frio inóspito partir
musa

SEDENTA MORTE

Tem ela chamamento sereno sombrio
Sinto-a roçar meiga apetecida
Como se vingasse esta sede de vazio
Que por dentro corrói profunda sentida

Apetece-me tanto tê-la dentro de mim
E vivê-la a sangrar inferno de sentidos
Canto prece encantamento oração do fim
Sedenta morte de pensamentos proibidos

Deixem-me ficar qual lua cheia de plena solidão
Vibrante pulsátil no sangue a escorrer
As veias do sentirem loucura excitação

Que sede arqueia trave do sentimento
Sustenta a vida que corre a morrer
Antes que a veia emudeça o pensamento

musa

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

VAZIO

VAZIO

A ausência do corpo sobre o leito
Desocupado espaço da prostração
Traz a memória quente onde deito
Ainda a luz acesa dessa solidão

E por mais que entre a claridade
Iluminando lençóis da pele humedecidos
Há marcas indeléveis da saudade
Aquecendo de lembranças os sentidos

Gotejam alumiadas no calor imperfeito
De um verso nos lençóis adormecido
O calor abafado e profundo do meu peito

Despojado o corpo na brancura do vazio
Fica silêncio em marcas carnais no tecido
Sobra a ténue clara sombra luz e frio

musa

ALQUIMIA POÉTICA

Poética alquimia
Delicadeza luz das palavras
Emoções versos magia
Transmutação
Força quimérica dos sentidos
Inspiração
Transformação dos sentires
Colisão
Pedra Filosofal
Quimera dos perdidos
Transcendental
Sonhos sumidos
Química do tempo
Derramadas areias
Deserto secreto
Doce sal pensamento
Libertas ameias
Em ampulheta poema
Escorre poesia
Sentimento
...
musa


A Alquimia é uma Arte que utiliza grande número de símbolos, e o grande símbolo da Alquimia é a borboleta, por causa do efeito da metamorfose… POETAS são borboletas, o verdadeiro alquimista é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto, o poeta… Ser de luz poética, irradia dos seus sentidos para as palavras em poesia… iluminuras crivadas de alquimia… que de acordo com os especialistas nessa matéria dizem, a alquimia é o nome da química praticada na Idade Média, que se baseava na ideia de que todos os metais evoluem até virar ouro, os poemas são o ouro dos poetas, podem ser o nada absoluto mas são também explosões luminosas da alma gerada no cosmos do pensamento. Os alquimistas tentavam acelerar esse processo em laboratório, por meio de experiencias com fogo, água, terra e ar (os quatro elementos), empenhados principalmente na descoberta de uma "pedra filosofal", capaz de transformar tudo em ouro.
Um alquimista é um andarilho a percorrer as estradas da vida… o Poeta é o alquimista da Poesia… ALQUIMIA DOS SONHOS EM PALAVRAS…

Grata a todos em POESIA
...
musa

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

CHUVA DE SAUDADE - Mariza - Chuva - Fado


CHUVA DE SAUDADE

do tempo de não ter-te
valados de saudade sulcaram águas
reunindo as chuvas que não cessam de chorar te

em obliqua fronte desse pranto
desaguei o olhar doce encanto
no sentir te fiz me nascente
rio em abraços para o mar
húmido e quente
em gotas a pingar
docemente

a chuva que não cessa de cair
no branco acinzentado da claridade
em cor de chumbo a fingir
raiar de cinza a tonalidade
que olhar e saudade fazem sentir

reúnem se águas em véu manso escuridão
desnorteados ventos vêm dançar
sopram gotas na clara ténue ventania
da saudade e da melancolia
a chuva do silêncio e da solidão
na terra e no mar
faz se poesia

musa

SAUDADES DO TANTO E DO TUDO - Rodrigo Leão *A Mãe #2* Vida tão estranha


SAUDADES DO TANTO E DO TUDO

Saudades do tanto e do tudo entre nós
Saudades do tanto
Do grito mudo em silenciado da tua voz
Da meiguice do pranto
Na solidão de estarmos a sós
Embalando o colo do sentir
Saudades do tudo
Do amontoado de palavras deixadas consentir
Do secreto inominado absurdo
Saudades do que ainda não pode existir
Neste sentir imenso e louco
De que não queremos desistir

“Saudades... De tanto e tão pouco...
Dos desejos segredados,
Dos abraços nunca apertados,
Dos beijos apenas aflorados...
Ou da humidade ardente da paixão,
Tantas vezes incendiada num fogo
Feito de folhas cheias de gemidos de palavras...
António
Beijo-te... Sempre...”

Saudades do que nunca foi... sim
Do bramir secreto do desejo
Da brisa ardente em frenesim
Em aflorado pensamento desse beijo
Nunca dado nunca sentido mas tão imaginado...
Em húmido olhar contra o tempo
Contra tantas as vontades
No fogo incendiado do vento
Feito de palavras ardentes de saudades...

Beijote... Sempre...

musa

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

ENCANTAMENTO – ao António

Era dela que falavas em bandos de azuis borboletas quando me ouvias
Ode sagrada de palavras secretas a essa deusa de todos os mistérios e encantamentos
Ainda que fosse a minha voz que em ti sentias
No olhar fugidio de todos os instantes e deslumbramentos

“O meu olhar retém-se, teimoso, nas sedas delicadas da tua voz...
Filigrana de emoções que enfeitiça ainda a minha memória...

Se fosse possível, beijava-te sofregamente,
as palavras que baloiçam, ainda, naquela brisa de mar...”

era dela que falavas e adentro do meu olhar rebatias
o encantamento e o fascínio da voz dos búzios dos oceanos
nas profundezas mergulhavas e nas algas te prendias
em murmúrios de sereias e dos ventos bramindo tão estranhos

deusa poesia do silêncio das palavras em prece de sentidos
sussurradas em abraços de um tremente sentir
se fosse possível resgatar esses instantes já perdidos
e à flor da água de sal em doçura e encanto fazer florir
todos os momentos por nós consentidos
neste mar imenso da voz a existir
somente ser esse vaguear de sonhos vividos
que por ela não nos deixa desistir

do mar à terra resgatar a fantasia
sôfrego sofrimento da nossa existência
que feitiço algum seja maior do que essa alquimia
encontro de alma desejo e sentir dessa eloquência
de que assim se faz o encantamento da poesia
e no silencio da palavra encantada
a lírica sustentação do verso
haja no sentir a letra iluminada
que arrebate de luz todo o universo
pela força profunda do poema
tão imenso como um mar
que de sentir se possa abraçar
numa leitura serena
e sentir somente com o olhar
quem lê e sente
porque poesia é sentir
e consente amar
e consentir

e consente o mar

musa 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

NAUFRÁGIO NO AREAL

há um areal carregado de lembranças
de naufrágios pálidos em pedaços
sobre a areia sonhos em laços
algas perdidas longas tranças
uma praia de húmidos sentidos
memórias das profundezas do mar
ventos apunhalados como lanças
nas dunas varrendo enfurecidos
onde as conchas vêm naufragar
e as pedras endurecem temporal
ficam despojos de vagas encapeladas
nas águas bravias o sol a brilhar
na espuma das ondas de sonho e de sal
na praia dos ventos e da maresia
vagas dançantes despojadas
em bordado de algas e pedraria
sobre a praia deserta
há fantasia desperta
em areal poesia

musa

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

PARTISTE

+++ Partiste +++

E eras só uma criança
a raiar de sorrisos o tempo da vida

O luto lento da inocência a manchar de lágrimas os meus dias...

O tempo e a vida passam mas a eterna saudade do teu ser permanece acesa lembrança do amor sentido
...

musa


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

À MULHER CELTA - Código de Honra da Mulher Celta


À MULHER CELTA

corre-me o sangue
um vicio celta
maduras pedras
acastelando o sentir
a alma esbelta
o odor a ervas
onde o corpo esgrimir
sabedoria espiral
e o mistério circulo luz
sonho sentimental
que olhar seduz
e o tempo acolhe
nos teus doces braços
e o sentido escolhe
rumo dos teus passos
por toda a natureza
bordada de laços
e de meiga certeza
que o fogo é sensibilidade
terra é beleza
a água é vida
o ar harmonia
do vento sopro felicidade
a espiral sintonia
do equilíbrio da humanidade

musa

AZUL NOITE

AZUL NOITE

trouxeste o azul noite ao olhar tingido
ofuscando a alma de memórias inocentes
acordaste o corpo de um todo sentido
que ainda dessa calma cor em ti consentes

o azul que na escuridão despe o ser
firmamento bebido em sal da tua pele
em noites de solidão que eram de intenso prazer
no calor das mãos com sabor a mel
que adentro do olhar eram doces e quentes
no infinito azulado dos desejos nascentes
feitos de um azul escurecido
aceso por palavras inventadas
no murmúrio silêncio consentido
na pele e na alma assim beijadas

o escuro azul da noite em céu de estrelas
adormecido ventre do teu olhar
vagueando o sentir de azuis quimeras
fica na noite sensível saudade a recordar

musa

domingo, 16 de fevereiro de 2014

VENDEDORA DE SONHOS - ao Sandro - Alice keys e Arturo Sandoval


VENDEDORA DE SONHOS

consegues ser-me além tudo e nada
a vendedora de sonhos que te faz sonhar
em fervilhação da palavra sonhada
na busca incansável do verbo amar
no resgate misterioso de selvagem missão
tudo que no poema possa encontrar
vendo fantasias sonhos e sedução
e tudo mais que em mim possas imaginar
na maciez desprendida do verbo
que no poema se faz sonhado
e vive imaginado em doce despertar
vendo-te os sonhos a essência da vida
deixo-te em palavras este legado
e mais que o sentir o consinta
e o fogo dos sentidos não desminta
de sentimentos desprendida
maga efémera da inspiração
diz-lhe onde tens o teu altar
ao verso rendida
acolhe a sua prece
há-de ser o poema razão
de todo verbo amar
que de poesia acontece

musa

CHAMAS DO OLHAR

Ermos mais altos que toda a eternidade
Desse olhar perdido além das serranias
Adentro floresta na penumbra saudade
Um escondido bardo com suas fantasias

Miram os olhos rubro brilho acendido
E nessas asas acesas fogo escuridão
Chama alta arde na fogueira sentido
Da eterna saudade em escura solidão

Do poema há um olhar complacente ferido
Na clareira dos sentidos ao lume de uma prece
Aquecem as memórias num riso desmedido

Esconde a floresta mais do que tentação
Imaginada flor em umbrais do tempo tece
Teia e trama do verso em tear inspiração

musa

MATURA IDADE

MATURA IDADE

Olho a mulher ao espelho
Corpo revelado sedução
Sangue cru nu vermelho
Nas veias azedas do coração
Nos veios soltos da sua mão
Nos lábios rubros leio-lhe conselho
Que a vida ensina mas o olhar não

Olho a mulher espelhada
No vidro fosco da imaginação
A sua vida embaciada
Espelhando a solidão
Dessa mulher sozinha
Que pela vida caminha
O sonho de mão dada
No espelho contrafeito
Há luz morrendo no peito
Dos seus olhos já sem brilho
Segue-lhe o destino o trilho
Dessa inocente maturidade
Madura mulher sem idade

musa

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

VOU MORRER NO MAR - Marisa Monte & Cesária Évora - É Doce Morrer no Mar


VOU MORRER NO MAR

Uma vontade de o vencer
De o caminhar
Dentro dele morrer
No meu mar

Num abraço de profundidade
Como se aí fosse renascer
Um amor de saudade
Para de novo viver

Em profundo mar sereno
Em doce escura serenidade
Em segredo luz aceno
Das profundezas claridade

Morta no leito das águas salgadas
Em abraços de loucura maresia
No peito de sal de lágrimas tombadas
Em vagas saudosas de ventania

E as ondas sobre o manso areal
A trazerem beijos sobre a areia
Húmidos sentidos de um desejo carnal
Num fogo Félix que o mar ateia

Faço-me corpo em curvas de espuma
Mar que me mata em imensidão
Afundo a alma em abraço escuna
Em vela desfraldada solidão

Ao leme mastro ré
Sepulto a minha vida
Do pranto da maré
Fica a despedida

musa

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

AINDA TU

AINDA TU

Ainda que não compreendas
Nem tão pouco possas aceitar
Nada te peço que entendas
Esta minha solitude amar
Há vagas enraivecidas
Nos meus olhos o mar
Ondas enfurecidas
Quase a naufragar
O vento bordando a sal
A orla húmida do olhar
Este sentir carnal
Que adentro a rasgar
Me faz tão mal
Parece morrer
Na branca espuma
O amor a desfalecer
Em vagas uma a uma
E de lágrimas desfeita
Toda a solidão do mundo
Este sentimento profundo
Esta dor em que me afundo
Esta maré de sentido perfeita
Que em enlevo solidão
Quase degredo escuridão
A noite em longínquo oceano
É da imensidão da paixão
Que eu sinto por ti
Sem limite sem tamanho
Ainda tu
Ainda o que não perdi
Ainda eu
E este sentir estranho
Que no mar se perdeu
E no verso sobreviveu
E de poesia senti
E no poema vivi

musa

CUMPLICIDADE SER

CUMPLICIDADE SER

Há sulcada cor em fina pedraria
Entalhes desgaste cumplicidade
Adornada confeitada fantasia
Rubor tingindo tonalidade
Em cores pedra luzidia
Faço-me poema
Luz serena
Doce fria

Em cumplicidade ser
Insensata claridade que emano
Ao nos teus sentidos transparecer
A luz cúmplice que declamo
Somente poesia
Ténue ilusão
A palavra que amo
Todo meu ser arrebataria
Na alma e no coração
E ilusória seria
Loucura paixão

musa

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A UM AMOR SECRETO

Se eu pudesse
Dizer-te amo-te
E ouvir-me no teu olhar
Encontrar-me nos teus lábios fechados
E aí tivesse
O meu secreto lugar
E adormecer nos teus braços apertados
Onde de amor pudesse descansar
Em loucura e segredo
No teu sentir sentir-me amar
Sem inquietação sem medo
Sem receio de me magoar
Sem preocupação
De ocultar essa paixão
E este amor maior calar
Dentro de mim
Ser a tua borboleta do jardim
Se eu pudesse assim
Na pele dos sentidos esvoaçar
Dizer-te e dizê-lo a toda a gente
Deste amor imenso sem fim
Ao mundo gritar
Que secretamente
Dentro do peito
Adormece serenamente
Intenso perfeito
Docemente
Amor

musa