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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

AMOR DE PERDIÇÃO

Mulheres de carnes esgrimidas pela intimidade da cambraia fina...

Castrados sentidos em mãos veladas

Medo pudor resignação que o poder domina

Vontades de silêncio aguilhoadas

Em proibida sedução

Casta pureza de matriz virtuosa

Ousada beleza de atitude jocosa

Déspota amor de perdição

Cortesia do frémito desejo

Em permissivo colo excitação

No rasto furtivo de um beijo

Na pele macia da luva da mão
...

musa

A cara de espanto do Camilo, perguntando quem é esta? Esta figura não representa o que o Camilo apreciava nas mulheres do Porto:
-  partilhei um pequeno trabalho sobre o Largo do Amor de Perdição - "Ela (Camilo Castelo Branco)
Aí temos a mulher do Porto, de 1850, a heroína de tantos romances, a causadora de tantas loucuras, a inspiradora de tantos poetas.
Engana-se quem a supuser etérea, franzina, pálida, clorótica, olheirenta e triste. Não tem nada disso. Pelo contrário. É abundante em carnes, boas cores e alegria. Não tem a “espiritualidade das magras”, mas nem por isso é menos bela. Não tem “a transparência ascética das virgens”, mas é exuberante nas formas rotundas e sadias das Vénus pagãs.
“A mulher do Porto, como ela era há quinze anos, estava por adelgaçar, gozava de cores ricas de bom sangue; era redonda e brunida em toas as suas formas; o ofegar do seu peito comprimido pelas barbas do colete era a oscilação de uma cratera, que vai romper à superfície; dardejava com os olhos; ria francamente com os lábios inteiros; deixava ver o esmalte dos dentes e o rosado das gengivas; meneava os braços com toda a pujança dos seus músculos reforçados; pisava com gentil desenvoltura; dizia com toda a lisura as suas primeiras impressões; ria-se com os chistes dos galãs que tinham graça; ouvia sentimentalmente as tristezas dos cépticos; doidejava nas vertigens da valsa; bebia o seu cálice de vinho do Porto; comia com angélico despejo uma dezena de sandwichs; tornava para as danças com redobrado ardor; e, ao repontar da manhã, quando as flores da cabeça lhe caíam murchas, e as tranças da madeixa se empastavam com o suor da testa, a mulher do Porto era ainda mais formosa, mais formosa ainda pelo cansaço, a disputar lindeza à aurora, que nascera para lhe disputar a beleza”.
Passados alguns anos é que veio a moda de beber vinagre para emagrecer e as Elviras tornaram-se de tal modo cloróticas e delambidas que faziam pena.
TUDO ISTO PARA QUÊ?
Para dizerem ao Mestre Francisco Simões que se enganou no modelo à época.

(Texto transcrito da página 146 do “O Porto do Romantismo de Artur Magalhães Basto)

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