Cartão de Visita do Facebook

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

NO TEU OLHAR EU VOO - You raise me up - Fernando Lopez(Trompete) Produção(DiannoWeb)


NO TEU OLHAR EU VOO

Quando nos teus olhos se espelha a alma sente-se amada
Quando as lágrimas se soltam na emoção de amar
Então nos braços de silenciado sentir eu fico a te olhar
Até que faça florir rosas nessa planura ajardinada

Tu acolhes o meu olhar para além das montanhas
Dá-lhes asas em voo de sentidos sobre o mar
Em abraços de vagas fortes tamanhas
Que barco algum ai possa naufragar

No teu seio de olhos complacentes destemidos
Abraços de brisas em loucura ventania
Envolvem me as ondas como doces sentidos
Num pranto terno de orvalhada maresia

Não há voo – não há voo sem o ermo beijo
Imperfeito coração rasante sentimento
Bate asas no céu da tua boca o meu desejo
Fazendo-me sentir ave solta ao vento

Às vezes quase toco os céus da eternidade
Dás-me asas de um tempo louco intemporal
São teus olhos paisagens de alcançada saudade
Onde a alma voa de uma vontade carnal

Do beijo ao olhar há um universo pensamento
Que nas asas da poesia viajo sem me cansar
Melodia esvoaçada em pauta do tempo
É neste verso que eu fico a te escutar

musa

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

IMPENETRÁVEL OLHAR

Mostra-me os teus olhos impenetráveis
Quase etéreos quase flóreos quase intocáveis
Deixa-me neles afundar


Impenetrável olhar
De um castanho mudo
De um eco aturdido
Quase silencio sentido
Quase secreto absurdo
Que não se consegue tocar

Sobre o teu corpo esgotado
De um amor por fazer
De um corpo por amar
Olho adentro teu olhar cansado
Morro nele o meu prazer
De desejo a inundar
Térreo acastanhado
Quase oiro quase mel
Verto nele a minha pele
O rio que te corre na mão
Faço-me nascente
Nesse olhar profundo
Sentes-me húmida quente
Na origem do mundo
musa

POR TE AMAR

Perco me em rompidas auroras de bruma de teias
Pérolas tecidas na luz claridade
Com que de olhar fogo me incendeias
Na chama acesa sensualidade

E a manhã de oiro despertada
Em boreal gozo de sentidos
Acende a bruma perlada
De cores em fios partidos

A trama dourada carnal
Agitando vendavais
Olhar luzidio gume de punhais
A cravar a luz transcendental
De obliquidade em cores naturais

No tear da boca o desejo
Tece entrançado sentido
Em fio húmido beijo
No teu olhar despido

Visto te de luminosidade prazer
A carne a cor a luz o vir
Comer beber amar
A manhã que deixamos acontecer
E que a memória faz sentir

Viverei para te recordar
...

musa

DENTRO DO TEU OLHAR

Adentro do teu olhar
Fiz me lágrima silenciada
Despedi me de ti
Sem te abraçar
Fiz da noite madrugada
Sem ser manhã morri
Lágrima por chorar
O adeus que senti
Em silêncio no peito
Dentro dos olhos o leito
Que em despedida sem jeito
Dou por mim a gritar
Silente sentido
Profundo gemido
Que não sei calar

Disse te adeus e morri
Adentro teus olhos inquietos
Murmuram beijos de saudade
Desejo loucura prazer que senti
Nesses instantes secretos
De profunda sensualidade
Que na tua pele eu vivi

Nascente fonte rio mar
Eram eles a minha foz
Doce leito a excitar
O melhor que corre em nós
O grito calado da voz
Nos teus olhos espelhado
O sentido provocado
Despedida excitação
Havia nos teus olhos ternos
Fogo aceso de paixão
O calor de mil infernos
O grito preso na tua mão
Derramado silenciar
No teu corpo a queimar
Vibrando louco de tesão
Na minha pele a se excitar
De amor acendido
De um adeus sentido
De dor perdido
Na tua boca há-de ficar
Para sempre
...

musa

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

ACONTECE SER

Acontece ter-te silêncio
o segredo
a essência,
a pele
as palavras
o sentir
o ser

que ausência te liberta
inconstante
inconcepta
essa necessitada vontade de expelir
o que existindo possa desistir
de sublimada libertação
no rasgo tremulo do punho da mão
todos os desenganos que possa consentir
esta muda escrita absoluta mordaz desilusão

onde te coloco depois da mutação
quando a palavra se desdobra
e no fingimento a fruição
do sentir que me cobra
esta vontade não
e querer dizer sim
fugindo do real
imitação carnal
do sentido
proibido
emocional

musa

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

WOUNDA ABRAÇO - A emocionante libertação da chimpanzé Wounda


Repetirei contigo todas as palavras tecidas silenciado olhar
O grito da dor cicatrizado sentimento no sangue dormente
O fundo dos teus negros olhos que eu nunca pude alcançar
A incógnita doce gratidão que todo animal fielmente sente

Num gesto surpresa espanto resgatas ternura emocionada
A libertação justa no colo da mãe natureza aconchegante
Por um instante confias o amor com que foste bem tratada

Regressas feliz ao lar da floresta com saúde e confiante

Há no abraço um sentir tão humano tão carnal
Por dentro se agitam emocionados sentimentos
Que lição deu aos humanos este doce animal

Chimpanzé Wounda finalmente devolvida com ternura
À vida da beira da morte resgatada tristes contratempos
Que fazem pensar do homem e da sobrevivência loucura
musa

OCULTAÇÃO

Depois que hora a hora o sentir do oculto se desprende
E da sombra dos sentidos se eleva a mística nostalgia
Demora a lentidão que olhar e grito não entende
O verso que da saudade subentende a poesia

Ao templo dos olhos em erguido altar do oculto
A prece murmura nos lábios insana lúgubre razão
Os votos de silêncio que em memoria já sepulto
Porque mais ninguém compreende do poema esta paixão


Como a onda tumultuosa do mar solitária esmaecida
Tombando sobre olhar espraiado em silenciado sentir
Grito calada nudez azul toda a intempérie da vida

Ocultados sentimentos a deriva de nostálgico pensar
Que a solidão em mim e toda eu possa consentir
Jamais ocultarei do verso estranho profundo soluçar
musa

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

AMOR DE PERDIÇÃO

Mulheres de carnes esgrimidas pela intimidade da cambraia fina...

Castrados sentidos em mãos veladas

Medo pudor resignação que o poder domina

Vontades de silêncio aguilhoadas

Em proibida sedução

Casta pureza de matriz virtuosa

Ousada beleza de atitude jocosa

Déspota amor de perdição

Cortesia do frémito desejo

Em permissivo colo excitação

No rasto furtivo de um beijo

Na pele macia da luva da mão
...

musa

A cara de espanto do Camilo, perguntando quem é esta? Esta figura não representa o que o Camilo apreciava nas mulheres do Porto:
-  partilhei um pequeno trabalho sobre o Largo do Amor de Perdição - "Ela (Camilo Castelo Branco)
Aí temos a mulher do Porto, de 1850, a heroína de tantos romances, a causadora de tantas loucuras, a inspiradora de tantos poetas.
Engana-se quem a supuser etérea, franzina, pálida, clorótica, olheirenta e triste. Não tem nada disso. Pelo contrário. É abundante em carnes, boas cores e alegria. Não tem a “espiritualidade das magras”, mas nem por isso é menos bela. Não tem “a transparência ascética das virgens”, mas é exuberante nas formas rotundas e sadias das Vénus pagãs.
“A mulher do Porto, como ela era há quinze anos, estava por adelgaçar, gozava de cores ricas de bom sangue; era redonda e brunida em toas as suas formas; o ofegar do seu peito comprimido pelas barbas do colete era a oscilação de uma cratera, que vai romper à superfície; dardejava com os olhos; ria francamente com os lábios inteiros; deixava ver o esmalte dos dentes e o rosado das gengivas; meneava os braços com toda a pujança dos seus músculos reforçados; pisava com gentil desenvoltura; dizia com toda a lisura as suas primeiras impressões; ria-se com os chistes dos galãs que tinham graça; ouvia sentimentalmente as tristezas dos cépticos; doidejava nas vertigens da valsa; bebia o seu cálice de vinho do Porto; comia com angélico despejo uma dezena de sandwichs; tornava para as danças com redobrado ardor; e, ao repontar da manhã, quando as flores da cabeça lhe caíam murchas, e as tranças da madeixa se empastavam com o suor da testa, a mulher do Porto era ainda mais formosa, mais formosa ainda pelo cansaço, a disputar lindeza à aurora, que nascera para lhe disputar a beleza”.
Passados alguns anos é que veio a moda de beber vinagre para emagrecer e as Elviras tornaram-se de tal modo cloróticas e delambidas que faziam pena.
TUDO ISTO PARA QUÊ?
Para dizerem ao Mestre Francisco Simões que se enganou no modelo à época.

(Texto transcrito da página 146 do “O Porto do Romantismo de Artur Magalhães Basto)

domingo, 19 de janeiro de 2014

TRAINEIRA DA TARDE

                        Galeria Vieira Portuense

TRAINEIRA DA TARDE

Eram azuis os entardeceres
Quando te olhava na parede
Imortal traineira da tarde
Um corpo de riscos e tintas
Esquisso de aconteceres
No convés estendida a rede
No horizonte um sol que arde
No olhar imagem que consintas
E havia lilases matizes e negros
E havia na tela ainda os medos
De mares sem tempo viajados
E havia na tela ainda olhares marejados
Mistura de cores e lagrimas choradas
E havia ainda as mãos manchadas
De sentidos e pensamentos afogados
E no fundo profundo da tela colorida
Brilho pátina de lembranças iluminadas
Riscada em pinceladas de azul a vida
Entre sois de desassossego despontados
E o murmurar do encantamento
Cascos de sal e vento mareados
Vagabundeando o deslumbramento
Errante desnortear do sentir
Há na tela acesa de azuis o chamamento
E esta saudade da traineira ainda ver partir

musa

VERSO VIOLETAS

Trouxeram-me violetas
Como quem dá estrelas
De um céu iluminado
De lilases cometas
Lindas caravelas
Rasto de borboletas
Em luz espelhado
Sol de rosetas
Asas silhuetas
Voo picado
Rasante

Verso

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ROMÃS DE PALAVRAS

Há nos bagos de romã
O delírio menstruado
Das horas gritantes de dor
A cheia ofegante da manhã
O cavalo alado
Em branco rubor
Nos poros da intimidade
Gravuras suadas
O frio e o calor
Da enchente sensualidade
As horas ensanguentadas
De torpor virilidade
E o esquecimento
A matriz por descobrir
A luz em adormecimento
Do teu olhar por sentir
Em mística linguagem
O sangue estremecimento
Soluçar da palavra convulsão
O remate da viagem
A começar na tua mão
Em dança eroticamente
Sobre o espanto das asas
Os frutos vermelhos
As cinzas das brasas
Dos pergaminhos velhos
Ardendo o proibido
No silêncio do sentido
Esquecido de mim
Em fingido fim
...

musa

NO FUNDO AZUL DE TI

para ti...

sei que guardas as minhas palavras
como pedras raras de um silenciado encontro
como amarras de um qualquer porto
entre cascos e vagas o confronto
escritas as palavras dão-te conforto
e a raridade de profundo sentir

sei que o teu olhar me escolhe
de entre tantas leituras
a tua alma o molhe
estivador de lembranças
acolhe a claridade e as minhas loucuras
e no silêncio fundo do ser esperanças
a bordar o horizonte de sonhos perdidos
de gestos afagos e ternuras
em valsa de vagas e sentidos

sei que os teus lábios ainda sabem o meu nome
e na escuridão gestual das sombras vertidas
a angustia a temeridade e sede e a fome
da ilusão em vestes despidas
e nessa insana nudez
a saudade que despi
a mais profana timidez
a lembrar o que guardas
no fundo azul de ti
...
musa

PÉTALAS BORBOLETAS… a Orfeu e Eurídice - Pina Bausch - "Orfeu e Eurídice"


para ti...
Saudades do teu olhar em busca de uma carta perfumada de pétalas por desabrochar
Deixada algures por debaixo de uma claraboia por descobrir...
Perdida por um olhar...
Saudades do que não soube sentir
De telhados de vidro feitos de açúcar de palavras em cacos e mistérios por contar
De orvalhos escondidos em teias de aranha e ainda na melancolia os sentidos deambulando nesta vontade estranha de te ver e nesse querer saber existir o que senti…
Saudades de entrelaçar asas com os teus dedos e semear borboletas no passado aprendendo a ilusão na ponta dos teus beijos e deixar voar segredos no céu da tua boca...
Sabes... Ainda sinto saudades de ti...
...

musa

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ALMA ÁGUA

a face límpida da água
que escorre da minha tez
toda a minha alma é liquida
e dessa liquidez
humedece a mágoa
tardiamente
talvez

a dor transparece
torpor liquefeito
que amarga e sente
o ardor do peito
entontece desfalece
a face dormente
o traço da dor
húmido imperfeito
que magoa consente
liquida escorrida
dorida sentida
intensa absorvente
comprometida
talvez

a alma é água
é pura sensibilidade
melancolia lucidez
é loucura que guarda
em leito humidificado
profunda insensatez
o verso declamado
a poesia amarga
no poema que se fez

musa

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CONFISSÃO

Sobre as escadas beijadas pelo mar
Pátina de maresia humedece as pedras molhadas
As fraguas naufragadas das vagas a soluçar
A dor que de sal humedecida
Se faz onda perdida
Em confesso pensar
Vaga sentida
Marear

Na escadaria há beijos de água salgada
Ondas arribando em sobressalto
Na pedra fria molhada
O céu firme alto
Por alcançar

E diante dos meus olhos húmidos de espanto
Os teus com o pranto das vagas em rebeldia
Num rosto de brancos cabelos de encanto
Como a espuma das ondas na praia sombria

Areia enchendo o pensamento leito
A água fria límpida e pura
O mar naufragando o peito
E esta saudade que perdura
Assim intensa deste jeito

Assoreamento que me fere a ternura
Olhar assombro tela poesia
Em profundo mar de loucura
Afundo em serena fantasia
Sem saber que me procura
A vaga que quer ser um dia
Areal desassossego alegoria
Caverna por descobrir
Onde escondo meu sentir
musa

LIVRAMENTO

O tempo dá tréguas sossego à inquietação
Os dias aclaram-se estendendo-se além
Há imaginado lume delírio livramento
Nos abraços do horizonte a escuridão
É céu aberto que negrura sustém
É desassossego descontentamento
E as vagas em corrupio e vaivém
E o vento em assobio também
Sobre o mar loucura solidão
Nas ondas o medo contém
O sal das lágrimas ilusão
O azul cinzento a fingir
O olhar tingido carvão
A fogo aceso sentir
Onde afundar
Imaginação
Existir
musa

GRITO ESCRITO

Hoje escrevo para ti
A noite com asas compadecida
Na fragância do sentir
O amor em palavras de vida
Ainda prisioneiro dos meus dedos
O odor mágoa do teu olhar
Rasgados sentidos em plúmbea cor
Segredos lavrados em vagas cinzentas
No azul marmóreo maresia mar
Caiadas vagas de tempestiva dor
E a saudade adentro a soluçar
Lágrimas relevos de ventania
Uma cortina de cores magentas
Salgadas fimbrias selvagens
Sulcos de silêncio poesia
A doçura infinda sossegada
No mais profundo infinito
Em clarão de chumbo denso
Trovão riso bramido ou grito
Num desconsolo tenebroso imenso
Em que o sentimento acredita
E na turbulência quase nada
Trespassa uma angústia bendita

musa

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Hora da Poesia - Ana Bárbara Santo António


FLORES PARA TI … a CONCEIÇÃO LIMA (A Hora da Poesia)

Trago estevas brancas florindo a água do mar
Dos sentidos pedras nuas com agrura singela
Das montanhas agreste ternura no meu olhar
Dessa infância que te conto pura doce e bela

Trago sangue terra nos sulcos gretados da mão
As sementes de flores que deixo entregues a ti
Espalhadas no vento leve em campinas de solidão
As minhas floridas memórias do tempo que já vivi

Aceita as palavras em ramo de saudosa melancolia
Os versos flores desse secreto jardim dos sentidos
Onde sempre irás colher a mais bela e simples poesia

Dos meus olhos poema saciando sede e fome candura
Dos mais recônditos e estranhos canteiros proibidos
Onde se esconde alma poeta âmago essência loucura

musa

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

VIDA FLORIDA

Encontrei teu olhar no orvalho de silêncios por florir
Âmbar de riso em pétalas de húmido contentamento
Na boca muda por gritar desertor veneno por sentir
Encáustica polindo o tempo de maligno desfasamento

Aceno-te um adeus na pedra engaste ensurdecimento
Dessa mudez altiva com que olhos riem louca provação
Alambre aprisionando doceis sentidos em pensamento
Flores fenecendo na luxuria jardim de inóspita solidão

Nas pétalas arrancadas humidade dorida complacente
O sentimento fere as palavras da alma magia desabrida
Que nos poros se arrepia o riso do frémito insolente

Flores sentir por desabrochar em doce ressentimento
Jardim encanto e sensibilidade em nuances de vida
Na paleta colorida do sonho e do deslumbramento

musa

AGRADECIMENTO

Grata a  Conceição Lima, ao programa A HORA DA POESIA (divulgado pelo Plano Claro)... aos colaboradores da Radio Vizela, pelo carinho e pela disponibilidade para a partilha do sentir poesia e a todos os ouvintes.
a… quem testemunhou esta entrevista… ao Bruno, à Alice Queiroz, à Teresa Teixeira, ao Rogério Barbosa, à Avelina Ferraz, à Ana Albergaria, ao Joaquim Lopes…
Aos meus pais e a minha pequena família com a poesia dos sentimentos…
À grande família poética, AMIGOS e CONHECIDOS DO FACEBOOK, Blogs em que participo, ao Bar Olimpo onde as quartas-feiras reunimos a volta da poesia, ao restaurante Janelas do Fado que nas quintas-feiras dá atenção à poesia, pela poesia dos sentidos, aos testemunhos deste encontro de existência poética…
Aos Amigos mais próximos que me acompanham e dividem comigo esta loucura do pensamento onde o poema é o pensar somado de tantas emoções que nos arrastam pelo mesmo caminhar…

Agradeço a todos aqueles que durante estes últimos anos me inspiraram, me levaram por caminhos de palavras e emoções e por essa mesma emotividade sustentada na poesia deixo o poema como um beijo…
OBRIGADA

ESPERA

Dócil matiz do mar sossegado
Bordado de vento em maresia
Há no horizonte um barco parado
Esperando a madrugada fazer-se dia

Aguarda-o a terra num abraço de porto
Aclarado anoitecer em olhar fantasia
O casco rasga vagas de um mar absorto
No sal de tantas lágrimas com selo de agonia

Na boca suspiros de gente levada ao cais
Lavada de choro em sufocada alegria
A espera faz brilhar gume de punhais
Cravada no sentir em palavras poesia

Amarra na chegada sonhos de paragens
Cordas soltas de missão cumprida
E na incerteza a solidão de tantas viagens
Assim é o pranto da alma incumprida

musa