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terça-feira, 27 de agosto de 2013

OLHAR O VENTO - Palavras ao vento - Cássia Eller


OLHAR O VENTO

Olhar o vento… lembras-te? – dizias-me que não se podia olhar o vento.
Rima com esquecimento.
A vida prossegue a sua caminhada mesmo carregando pesados fardos da memória arrasta as correntes do passado deixando marcas intemporais aguilhoadas de esquecimento...
Fazendo do acontecido partes de uma história por contar com fragmentos de silêncio e solidão como farpas de um vendaval destruidor de sentimentos a roer dentro de nós o esquecimento.
Esquecer. As lembranças deixaram de ter passado e presente somente porque se fez tarde reapareceram como saudades do que ficou dor.
Há carnais sentidos aflorando pensar dos instantes memorizados voz e movimentos de mãos e imagens distorcidas de afetos presos no escuro entorpecer da desilusão.
Há no vento estático olhar procurando palavras para remediar porquês que nasceram de ausências roubadas pela distância imemorial.
Depois ficou o tempo a apagar as memórias que eternizadas por palavras teimaram em renunciar ao esquecimento.
Reapareceram tomando um rosto do passado e renasceram as mesmas palavras que estavam por lá esquecidas esperando a memória cativa do sentimento adormecido.
Esquecimento rima com fingimento.
Dizias-me não poderás nunca olhar o vento. Sentia-te rasgando a pele do rosto com gume de lágrimas em oração acreditando na prece dos dias desfiados em saudoso sentir com contas de amargura e esperança.
E o vento fugidio deixou de sentir. Ficaram dias de espera desgastados pela recordação em consentimento e esquecimento.
Há um vendaval de lembranças a querer fustigar de novo as entranhas corroídas de espera. Não saberei mais olhar o vento.

musa

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