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sexta-feira, 26 de julho de 2013

POEMA INCOMPLETO DAS PALAVRAS

sobram palavras entre nós
meus olhos bebem do sal dos teus olhos
palavras que fervilham no segredo da emoção
fundem-se no olhar da doce voz
que cala bem fundo a dor do coração
as palavras não consigo encontrá-las
onde as deixei estando contigo
não sei se algum dia conseguirei achá-las
onde em que lugar no teu abrigo
nos abraços de palavras em colo e beijo
escrevemos com a pressa de viver
deixamos vencer-nos o desejo
mas amor não é só prazer

estende o braço e toca a loucura
vai com o teu dedo onde há um grito ânsia
um vaivém de prazer que perdura
até à ultima instancia

estende o olhar e toca o sangue a ferver
respira-me no veneno de piras selvagens
a arder húmidos cantos libertinagens
estalados os poros a ensandecer
pela cruel distancia

bebe dos lábios gretados a fragrância
com um travo de medo gélido e frio
no canto da boca a endoidecer
uma gota de extravagancia
um riso metálico sombrio
do que restou prazer
na tua mão o rio
abundância

nada resta das palavras silenciadas
as mesmas espartilhadas
do poema incompleto das palavras
do medo tido em fímbrias coloridas
a raiar a escuridão de fogo e mágoas
um só sentido nas mais sentidas

do que resta das palavras do silêncio
nada direi que já não saibas
são poucas as aberturas onde caibas
para te entranhares todo por dentro

quero as palavras mas não te quero a ti
de todo este silente sentir já desisti
não te quero mais na minha vida
não quero nada dessa lembrança
nem a mais vaga esperança
do havemos de saber
porque sem ti não há viver
porque sem ti  há padecer
e viva cansada e triste em luto lento
que de amor possa eu morrer
melhor será enterrar-me em desalento
e de poesia renascer

musa

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