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domingo, 23 de junho de 2013

PRAÇA DOS SONHOS

A PRAÇA DOS SONHOS
Existe a feira das vaidades, onde uma realidade se fantasia sob máscaras de entretenimento e apregoa o verso do fingidor desconhecendo o maravilhoso mundo do misterioso ignorante.
O conhecimento é a única coisa que ninguém pode roubar de alguém...  Mas cada vez mais fica menos espaço para os sonhos… O conhecimento rouba-nos a capacidade de sonhar.
Transformar sonho em realidade requer esforço e conhecimento mas abre feridas sem sangue, crava punhais sem dor, martiriza de estigmas e chagas palavras de ilusão.
“Quem muito fala trai a confidência, mas quem merece confiança guarda o segredo”
Se desejamos avançar sobre o desconhecido, conhecendo-o mais e mais, então precisamos saber que nos tornamos sujeitos frágeis a muitas e incríveis armadilhas afundando-nos num poço de dúvidas e preocupações, e a primeira delas é esta: a ilusão de que já conhecemos o desconhecido pelo que das suas palavras vamos conhecendo em mistério e sedução, abrindo as portas do fascinante e assombroso misterioso mundo que se torna completamente presente, real, próximo, e imposto ao nosso pensamento, fazendo-nos habitar de silêncio o sono e a vigília, trazendo prazer, amor, ódio e dor, na inconsciência da meia-luz em intimidade poética das metáforas, então para quê surgir das trevas claras a curiosidade e assumir a vontade de querer o parto da consciência rebentadas as águas do mistério desfeito, do abismo infinito, estranho e desconhecido, penetrada a imaginação, rompida a indignação, completamente à mercê do que não sabemos, do que desconhecemos, se pararmos um pouco e olharmos em volta, podemos não reconhecer o que nos parecia óbvio, podemos nos sentir traídos. Ficaríamos admirados com a nossa capacidade de nos iludirmos, levaríamos um susto ao ver trevas onde parecia haver luz.
O mistério é para mim a verdadeira terra de ninguém.
No mistério há uma praça dos sonhos. Uma espécie de lugar onde eu me sento e partilho palavras sem nada pedir em troca e tudo receber e dou palavras sem nada querer e tudo sentir.
"Duas almas vivem aqui no meu peito,
uma querendo separar-se da outra:
uma se agarra, em sensual enleio
e com seus órgãos feito âncoras, ao mundo;
a outra se ergue do pó às alturas antiquíssimas."
Fausto / Noite, I. Wolfgang Goethe.
Na Praça dos Sonhos vive espiritual busca na incompleta existência das palavras por dizer, em dualidade de sentidos abre ferida aberta pela poesia e no sangramento jura a separação em sensualidade amarra ao mundo feito pó desconhecido e misterioso enlevo com raízes adormecidas buscando o despertar de outras vontades, talvez ocultos desejos no corte transparente do pensamento e em sentimental devaneio de inquietudes.
Talvez nunca os esporos da virtualidade singrem em chão consentido de palavras, porque os sonhos não criam raízes, e não há ventania de compreensão que possa fertilizar estéreis campos de desconfiança, nem a humildade do sentir seja sequer a ser semente.

musa

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