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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ALVORECER DA ALMA


Há em minha alma
Cansada e triste
Um luto uma ilusão
Um céu coberto de açafrão
Um cheiro a pólvora por queimar
Há no meu olhar um sol que resiste
E teima em brilhar
Um mar a descoberto na minha mão
Um céu ainda incerto sem razão
Um sonho que insiste
Vou dar-te o sol a luz
E este entardecer
Azul que me seduz
Desde cedo o alvorecer
Vou dar-te o corpo a alma e o sentido
O certo o errado e o proibido
A desilusão de ser o que não sou
Dos teus lábios o beijo perdido
O dia a tarde a ave que voou
E a noite que traz o sonho adormecido
Vou dar-te o sangue e o meu segredo
As veias como a chuva a chorar por mim
A loucura o destino e o medo
E esta vontade de ser assim
Noite que acontece dia que amanhece
Numa alma cansada e triste até ao fim
Tristeza que insiste chorar-te assim
Loucura que resiste dentro de mim
Alvorecer da alma que de luz se tece
Em tons de açafrão e de carmim
E por dentro toda me esmorece
musa

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