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domingo, 9 de dezembro de 2012

À TERRA TODA – Homenagem a FLORBELA ESPANCA 08/12/12


À terra toda minhas cinzas vão levar
Restos mortais vão partilhar
Meu ser que não é mais vão dar
Quando meu corpo forem a enterrar
Eu não estarei mais aqui
Terão um corpo morto
E eu já terei chegado a bom porto
Estarei em qualquer lugar
Não serei mais o que vivi
Não serei mais o que sempre senti
Não estarei mais aqui
Dos meus sentidos serei silêncio e poesia
Da minha carne as cinzas em flor
Da minha pele a dor
Levem poemas para me recitar
E antes da alma me chamar
Que de palavras sonetos esfria
Soltem a voz do sentir
Soltem a voz como bandos de aves
Ecoando sussurros pelas naves
Em voo rasante a me declamar
Deixando as penas a despedir
Não quero choros lagrimas prantos
Sobre a ausência do meu ser
Quero do vosso sentir os encantos
Que em vozes húmidas sagradas
Na poesia deixam transparecer
Poemas preces de asas
Que rogam da vida seu belo prazer
E deixam em despedida tudo dizer
Quando diante de vós meu corpo frio
Tiver a imensidão do vazio
E a pequenez do sentir
Lembrem-se da solidão do poeta
De toda a sua vida tão deserta
Em lividez consagrada
Do tanto que sempre sentiu
Do nada que nunca existiu
Da melancolia arrebatada
A cada palavra proferida
Da agonia amordaçada
Que a poesia sentida
Lhe deu em inspiração redobrada
Como se a doce vida
Em si estivesse encerrada
E no instante da partida
Fosse libertada
musa

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