Cartão de Visita do Facebook

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

PARTIR


Em busca de um reencontro
Sem nunca olhar para trás
Sem ver luto ou choro
Interior confronto
Nada satisfaz
Nesta dor em que me demoro
Já tanto me faz
E tu… onde é que estás agora
Porque esta minha demora
De contigo partir
E a tua partida sentir
Nesta alma que chora
Triste sentida
Poder partir no desvario
Desse olhar vítreo frio
Desapegado da vida
Cansei de existir
Cansei desta dor
Cansei do ser
Quando eu partir
No luto no choro no amor
Levarei prazer
Será um caminho sem fim
Um pontão a lugar nenhum
Um adeus sem doer
Um soltar-se de mim
Todos os medos um a um
Todos os avessos do esquecimento
Todos os recomeços do descontentamento
Partir por essa estrada fora
Por cima da neblina densa e mansa
Onde o meu sentir descansa
E o pensar se demora
musa

PARA TI


antes de partir... quero deixar PARA TI

Nunca escrevi para ti
Mas hoje ao fazê-lo
Estou a eternizar as palavras no teu sentir
Desenrolando beijos do novelo
Da lã dos afetos
Onde despertados secretos
Tecem o mais doce sentido que possa admitir
Para ti

Não é um poema de amor
Daqueles que fazem ninho nos beirais
Esteio de silêncio dos umbrais
Que na amargura e na dor
Possam consentir
Voos de ausências
E também permitir
Todas as desistências
Cumpridas pela tua existência
Onde o meu sentir faz ninho em ti
E cumpre amor

Acordo e demoro-me
Na tua pele no teu gosto no teu sentir
Namoro-me
Não quero que me ames de amor
Quero somente o teu cio
O grito o pranto o torpor
Dos bicos dos dedos dos seios
O calor entranhado no frio
De todos os teus desejos
Donde eu sempre possa partir
De caricias e ternos beijos
Sem entraves nem enleios
Quero a tua sede e a tua fome
Saciando a carne do alimento
Veios de sémen e saliva
Além de todo o sentimento feito de ti
Quero o querer da tua mão esquiva
A vontade e o prazer
Com que partilhamos tesão
Não quero que me ames
Só quero que nesse não querer
Permitas romper com a solidão
Sintas somente do prazer de sentir
O que nunca tenhamos que admitir
Tudo o que esta para além do amor
Tudo o que está para além da dor
Tudo o que paira entre tesão e vontade
Somente o desejo de um beijo
No colo farto da sensualidade
Onde se permite o ensejo
Desta nossa cumplicidade
musa

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

DUETO com LUIS VAZ DE CAMÕES - Gonçalo Salgueiro /**Alma Minha Gentil**/



Alma Minha Gentil, que te Partiste

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

E A TERRA QUE AO FÉRETRO ASSISTE

E a terra que ao féretro assiste
O céu que de lágrimas te chora
Este corpo de saudade que resiste
Esta dor que por dentro se demora

Sofrimento que caminha nesse pranto
E sobe ao altar do céu azul de amor
Sabe-me a carne a alma tão só a dor
Descontentamento que fenece encanto

A dor a mágoa mais profunda
Em mim tão só há-de ser
Mortalha triste e funda

A Deus peço levar-me desta vida
Não mais sinto nem tenho prazer
De viver tão só assim sentida
musa

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SILÊNCIO


para o Charlie Brown (levei tempo a consentir dentro de mim escrever-te um poema… mas o tempo trouxe-me as palavras em silêncio…)

a voz de um anjo...
Levar-te-ei pelos dias
Pelo tempo
Incrustando nas pedras
A dureza do sentir
Silenciarei o sentimento
Em coração empedernido
Amolecendo sinestesias
E nesse cruzamento sentido
Doce silente pensamento
Faço-me palavras ousadias
Sinto o teu olhar
Em sonoridade aveludada
Um frémito ardente
Amanhecia o silêncio flor
Em sublime imensidão
Teu sentir consente
Da voz o odor
Do silêncio a paixão
Há entre nós
A palavra a florir
Uma nova estação
Talvez a primavera
Dentro de nós consentir
Em doce renascer
Há entre nós
O sonho e a ilusão
Esta vontade severa
Que nos faz viver
Esta louca razão
Sem nada saber
Sem nada querer
Se sim ou se não
musa

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

LAR DE PAPELÃO


Há calor na carne do cartão
Há calor num abraço de papelão
Há calor num colo de papel

Se eu te disser que há aconchego
Numa cama de chão
Feita de desassossego e fel
Feita de inquietação e medo

Que há sossego num lar de vão de escada
Que há uma família na rua partilhada
Tu não vais acreditar
E vais pensar

Pobre mendigo de rua
Tao pobre que não tem nada
Pobre o que está a passar

Tem por companhia a noite e a lua
Mendiga o calor das estrelas fulgentes
Aconchega-se nas folhas de papel quentes
Mas na sua alma tão frias
E as suas noites tão vazias

E de dia?
Dias frios e dormentes
Para onde vai ele mendigar?
Há solidão sem fingimento
Em seus olhos tristes arrependimento
Há uma emoção escondida

Uma partilha de vida
Um descontentamento
Uma vida por contar

A quantos mendigos de rua
Conheces tu o brilho do seu olhar?
...
musa

terça-feira, 20 de novembro de 2012

UMA PIZZA À BEIRA-MAR - Obrigada pelo almoço à beira-mar…


Tenho na boca um travo de sabores
Que o palato divide entre o doce e o salgado
A língua a tocar um céu entre dentes aromatizados
A rúcula selvagem degustada na boca
E o teu olhar distante como tempero

Nos teus olhos o mar cinzento de muitas cores
Faz-te por instantes meu enamorado
Em tons de maresia e ventos matizados
A vaga trémula barulhenta e louca
A onda branca cantante e rouca
É na tua doce voz pulsante bolero

Os dois partilhamos uma pizza à beira-mar
Sabores de orégãos coentros e outros cheiros
Havia gaivotas poisadas na areia e barcas a descansar
A massa estaladiça nas chamas acesas de loureiros
E o tempo concedendo-nos instantes de doce amor
E a tua mão sobre a minha vinha repousar
Havia vontade e fome numa partilha de companhia
Saciamos sentidos e sentimos nesse mar odor
Que à mesa repartimos com o sal da alegria
musa

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

INESPERADAMENTE - Muse - unintended



Sem porquê nem por que não
Uma escolha para o resto da vida
Abrindo a porta à solidão
Curando a alma ferida
O amor no coração
Desesperadamente
Assim não intencional
Inesperadamente
Do mais profundo sentir
Sentimento descomunal
Faz-me desistir
De todo este querer
Sem refletir
E te dizer
Sim estarei por perto
Assim que eu compuser
Partes da vida desmembradas
Todo este sentir secreto
Assim que eu tiver
Todas as peças coladas
Deste puzzle de sentidos
Em tantos desafios
Colados os bocados partidos
Atados todos os fios
Inesperadamente
Numa escolha não intencional
Dir-te-ei sentidamente
Em jeito confessional
Este corpo que ama e sente
Esta alma descontente
Este sentir passional
Inspiradamente
Intencional
musa

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

RESIGNAÇÃO


Na luz de uma história antiga
Uma dor caminha inesperadamente
Ensombra de tristeza a minha vida
Que implora sentidamente
Que Pai assim me castiga
Que dor assim me consente

Coroada de palavras como espinhos
Num verso de pregos em pés e mãos
Aceito de poemas teus desígnios
Sonetos de sentidos em refrãos

Talvez esteja a luz onde a dor existe
Desassossego inesperadamente em mim persiste
Nos trilhos dos passos no calvário dos caminhos
Que corpo e alma ateia e por dentro insiste
Enleia na tortura de outros destinos
Deste sentir que de mim já não desiste
A cruz que tantos carregaram de pequeninos
Em mim deixaram dores de peregrinos
Dissabores amargos clandestinos
Choros de raiva cristalinos

São lágrimas duras de cristal
Por dentro desespero e ventania
Sinto-a a pena como um punhal
Escrevo a dor em poesia
musa

CALMA VENCIDA


Voam corvos negros sobre a pele sem sal
Nos olhos rasgam voos em mancha cega
Dor que crava dilacera e assim me prega
No pranto negro manto gume de punhal

Cobre-me o medo a dor que me fustiga
Na escuridão da floresta onde me perco
Negro cego olhar angustia que me castiga
Aperta em abraços de solidão o meu cerco

Afloro a prata luz no lago dor humedecida
Cede a noite cansada no corpo tão frio
Deliro em choro de uma lágrima perdida

Há em toda a pele uma florescência sentida
Dores antigas à espera desse medo sombrio
O corpo e o olhar de calma já tão vencida
musa

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A SER UM DIA



MEMENTO MORI

Comecei a escrever num dia de morte. A manhã surpreendeu-me com gritos agonizantes de quem perde rumo e ser. Momento mortal de ganho e perda e força de sentir e nessa perda e ganho nasceram palavras que se fundiram no tempo de ausências e saudades.
Escrevi no espectro da madrugada desde a aurora até ao despertar em amanhecer silente frio absoluto de um Fevereiro coberto de bruma húmido gelo e denso nevoeiro em placas vítreas sobre o chão gelado e pingos de estalactites nos abraços das árvores nuas.
Lembro-me que escrevi cerca de trinta poemas a um homem só que havia partido no embalo das palavras que teimam em dizer tu és pó e ao pó voltarás e assim ficaram-me as palavras como poeira de versos em pátina de sentidos.
Toda essa escrita se aflorou ao veio do olhar escavado de lágrimas e pétalas tombadas sobre a tumba do tinteiro seco de dor num vazio de tinta impregnado pela perda sofrida como se aos olhos fosse permitido afundar-se em lago de tristeza e na dor incontida transbordasse a poesia em fissuras de sentir.
Foi o começo de parir palavras em húmidos versos pela ausente busca do porquê das palavras em poéticos universos que me deixaste sem eu nunca ter estado em ti. Senti na dor da separação a rebentação do dique dos sentidos e a inundação das lágrimas como poemas transbordados para os campos do pensamento em sentires proibidos que apenas o sentimento leva para o túmulo da solidão na vida que há-de ficar Poesia em firmamento.

anabarbarasantoantonio

A SER UM DIA

recato-me na voragem do teu sentir
anseio-me na fome dos teus abraços
sacio-me  na sede dos teus beijos
abandono-me  sem me permitir
rompo-me de sentidos e de laços
mato-me em vida de desejos
perco-me no rasto dos teus passos
afundo-me  em instantes e ensejos
e vou-me por ai…

se me encontrares onde me estou
ser-me -ás o que já senti
leva-me pela tua mão
tenho olhos e não vejo
tenho e não dou
tenho e não desejo
ser-me o que não sou

ser-me-ei sem o ser
o que o ser me levou
de seres fugazes e perdidos
onde sentida possa transparecer
da mesma medida do que sou
já semeei palavras e sentidos
silenciei sentires e sentimentos
acordei ser o que poder seria
julguei  silêncio e pensamentos
dei-me  em versos de poesia
na voragem de contentamentos
o que a ser possa ser um dia
musa

A PACIENTE POETISA

Ofereço-te o dorso manso
Desta dor de que me canso
Escreve nele o poema
No bico doce da pena
A agulha a escrever
O verso nas vertebras fendido
O pulsar do instante sentido
Dor intensa loucura prazer
Ao poema me possa render
A paciente poetisa
Em silenciado gemido
Em sentenciado pedido
Faz do meu dorso teu ser
E nele vem escrever
O beijo da dor consentido

Dos lábios o fulgor
Traço molhado
Nas fissuras demarcado
O verso amargo sabor
Da paciente poetisa

Doce sacerdotisa
Das dores submissa
Das consumições
Das atribulações
Das contrariedades
Das ilusões
Meiga premissa
Das tenacidades
Eleita mantissa
Do ser

Significando
Podendo transparecer
Acordando entender
Num fio fino de poesia
Num brilho rasgo de fantasia
Em dor prazer

Adormece
Entontece
Transparece

Poetisa paciente
Acalenta a dor
Faz da agulha confidente
Faz do poema o seu pendor
musa

domingo, 4 de novembro de 2012

AMO-TE COMO NUNCA AMEI

ADORMECI NOS TEUS BRAÇOS 

MACIAS PENAS DE OIRO E SEDA PURA
NUNCA EM MINHA VIDA SENTI SEM TER
TAL ACONCHEGO TAIS ABRAÇOS
ONDE ME ENLAÇEI TÃO SEGURA
DE AMOR DE VOLUPIA PRAZER

INAUGURO A MANHÃ DESTAS PALAVRAS
DITAS ASSIM MADRUGADA DA ALMA
TANTAS AS FANTASIAS GUARDADAS
TAL A SERENIDADE A PAZ A CALMA
COM QUE ME BRINDA A VIDA EM QUASE NADA

LIBERTO-AS AQUI SEM AS PENSAR
DIGO-TE SEM AS DEMORAS
DOS VERSOS TRABALHADOS PELO AMAR
DOS SEGUNDOS DOS MINUTOS E DAS HORAS
QUE POR DENTRO POR FORA FICO A SONHAR
NESTE CORAÇÃO ALMA ONDE JÁ MORAS

AMO TE COMO NUNCA AMEI

AMAR ASSIM ATÉ É PECADO
AMO-TE SEM DOR NEM LEI
COMO QUERIA AGORA ACORDAR AO TEU LADO

ESTE AMOR INTEIRO INTENSO DESCOMUNAL
PODE ATÉ APARECER LOUCURA

QUE SEJA... QUE EU TE RECEBA IMORTAL

QUE DITEM... ACABOU TUA PROCURA

O ANJO DAS ASAS ARREBATADAS
DAS TUAS PENAS PARA A MÃO

SAIU DO LIMBO DE ALMAS DESENCONTRADAS

VEIO MORAR NO TEU CORAÇÃO


AMO TE TANTO TANTO TANTO

QUE CHEGA A SER AMOR 


A DOR DO PRANTO

...
MUSA

INVERNO DE PELE E POESIA - para o João


Teu ser é em mim eterno
A cada voltar um nunca despedir
Cio de pele do sentir
Tem aromas de inverno
Fogueiras por queimar
O cheiro da carne com madeira
No ar aspira-se o sabor do frio
Nos teus dedos sândalo e surpresa
No teu olhar desejo e cegueira
Na tua boca vontade sempre acesa
Na tua mão escorrendo meu rio
A cada orgasmo uma certeza
Escalas poro a poro cordilheira
Em montanhas de inóspita beleza
Aqueces-te no meu corpo do teu frio
Semeias em mim teu olhar tua pele
Teu ser ausente e tão sombrio
Teus olhos de amor quase mel
Em ventos de pulsões e de querer
Ventanias de emoções e de prazer
Chuva na carne de sentidos e doçura
Sentir de ternura e de loucura
Inverno de pele e poesia
Sentir que no tempo perdura
A cada instante a cada dia
musa