Cartão de Visita do Facebook

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PALAVRAS DE AMOR QUE TE DEIXO


No torpor de silenciado sentir
As mãos trazem-te no tato de ti
São raízes crescendo sem as consentir
São inconformidades que nunca senti
São rosas florescendo sem as omitir
Palavras de amor que te deixo aqui

Persistir de um silêncio que quase grita
Onde tudo levita em insustentável leveza
As sombras de uma paixão que me agita
As folhas que escritas são uma certeza

Como posso por dentro admitir
Como a flor imbuída de pureza
Pode o pranto da chuva admitir
E crescer de folhas flores delicadeza

Já não há mais palavras que eu deixe de sentir
Na sensibilidade de todo o encanto subtileza
Às vezes o tempo tudo se encarrega de apagar
Até no meu olhar se perde o teu doce sorrir
Sem no entanto este grande amor se desfolhar
E as flores fenecem no jardim silenciado
Onde o sol as aquece de terna inspiração
Há em toda eu este silente sentir amordaçado
Que guardo no jardim da alma florida paixão

São só pétalas temporais de um sentimento
Sei que não há retorno do que possa sentir
Ficam fragmentadas em tempo esquecimento
Até nunca mais lembrar que pudessem existir
musa

sábado, 20 de outubro de 2012

CARTA DE UM AMOR POETA


Serás sempre o meu Amor Poeta...

CARTA DE UM AMOR POETA

Já te escrevi cartas mudas
Emoldurei de palavras árvores
Em bancos de jardins talhei
Versos em sulcos de canivete

E na pedra d’ança com o estilete
Rasguei trilhos desse amor profundo
Como se a madeira fosse o mundo
Onde o sentir em tons de verdete
Perpetuasse o tempo num segundo
E na mudez desse ritual inanimado
O amor fosse assim perpetuado

Já te escrevi cartas absurdas
Trilhei na voz de tantos poetas
Murmúrios sussurrar almas surdas
Escondidos em palavras secretas

Não sei quanto terei ainda por escrever
Não sei mais o que escreverei
Se será por amor ou somente por prazer
Se nas palavras deixarei o meu sentir
Se será por dor ou apenas para esquecer
Que um dia por amor te deixei partir
musa

A MINHA VIDA É UM MAR DE PAIXÕES...


saudades de um instante sobre a raiz do teu peito em silente pulsar…
é no chão que sempre escutamos todos os silêncios...
no ar podem passar em fugidia aragem...
no chão pulsam dentro de ti...
raízes...

queria fazer-te um poema de amor
com asas de silêncio sentir
queria esvoaçar desta dor
do teu peito meu beiral
poder partir

queria não sentir o amor esse punhal
que sangra de sentidos sentimento
queria não dar consentimento
a essa dor descomunal
que arde sem ver cá por dentro
e queima o pensamento
sem igual

queria matar esta saudade
que no peito é rufar silente
queria sentir a liberdade
que quem não ama sente
e sentir a raiz desse pulsar
rasgar o peito de tristeza
queria não saber mais amar
e ter no meu chão essa certeza
que todo o sentido consente
no silêncio em fugidia aragem
no olhar em fogo de beleza
a fogueira que paixão desmente
belo é o amor dos que agem
por amor amam com destreza
em firme chão com raiz
em silente dor companheira
de quem ama à sua maneira

ser-te na tua casa no teu jardim
frondosa árvore do amor erguida
queria somente ser no teu chão feliz
estranho amor estranha vida em mim
lar aceso de tantas inquietações
à minha vida que é um mar de paixões
queria dizer àquele que sempre diz
ama um só e não todos os corações
que do amor maior ninguém desdiz
porque ele é raiz de todas as ilusões
...
musa

Homenagem a MANUEL ANTÓNIO PINA - ROSA POESIA

Há na memória das palavras um sentir (e)terno...

... andava pelas ruas do Porto quando ouvi a noticia...
RIP a MANUEL ANTÓNIO PINA obrigada pela Poesia e pela Literatura Infantil

A um Jovem Poeta

 Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.

Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"

ROSA POESIA 

Esta tarde nas ruas do Porto
Havia um cheiro a rosas
De velas queimadas
Apagadas ardidas
Havia nos rostos prosas
Alguém dizia: morto
As flores desfolhadas
As velas acendidas
Denunciavam o porquê das rosas
Das pétalas arrancadas
Das prosas sentidas
Havia tristeza no olhar do poeta
Uma dor de ausência florescida
Havia uma mágoa secreta
Que por entre palavras rosadas
Crescia sem saber porquê de vida
De prosas ausentes desfloradas
Na pobreza de poemas sem razão
Que a dor da morte desperta
Para além dos roseirais da ilusão
Havia um lugar vazio
Uma rosa fenecida
Uma prosa sucumbida
Uma poesia falecida
Um poema já frio
musa

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

CAVALOS TOIROS E CIGANOS


Há uma lenda adormecida
Nos lábios doces dos poetas
Há uma história de vida
Abre ao fado portas secretas

Contam que em prados selvagens
Havia cavalos e toiros
Trazidos de longas viagens
Por morenos de cabelos loiros

Era uma raça andarilha
Viajantes sem destino
Do sonho seguiam a trilha
Do fado seguiam caminho

Conta uma lenda cigana
Que certa vez aconteceu
A uma menina tricana
Que num prado se perdeu

Andavam os cavalos à solta
E os toiros também pastavam
Andavam os ciganos à escolta
Dos animais que guardavam

A tricana menina inocente
Sobre um muro colhia amoras
Mas veio um touro de repente
Que a levantou sem demoras

Em seus chifres bem agarrada
A tal menina brava e corajosa
Às voltas pelo prado foi levada
Na cabeça do toiro vitoriosa

Contam os ciganos que viram
A tal pega dessa criança
Tanto medo que sentiram
No perigo que só Deus alcança

Correram todos em sua direção
Valentes homens para a salvar
Mas nos seus olhos sem aflição
O medo a impedia de gritar

Eram toiros bravos do campo
Criados selvagens entre cavalos
Conta a lenda do seu pranto
Quase estiveram para matá-los

Se há dor maior para o cigano
É perder os seus animais
Vive com eles de ano a ano
São seus todos os natais

A menina assim se salvou
De entre os chifres do animal
E o toiro não se matou
Porque também não lhe fez mal

Assim cavalos toiros e ciganos
É vê-los por prados de partida
São errantes doces arcanos
Foram para mim anjos da vida
musa

domingo, 14 de outubro de 2012

É PROIBIDO


Na paz do meu ser
Um buraco negro se abriu
Um desassossego imenso
De algo alguém que partiu
Deixando em mim sentir intenso
No pano-cru vela desfraldada
Vazio queimado vela enfunada
Branco Adeus do lenço
Sem dar por nada
Senti a dor

Proibido amor

É proibido amar
É proibido pensar
É proibido dizer

Mas por que é proibido?
Que gozo que prazer
É esse teu sentido
É esse teu ser
É esse teu pedido
Que proíbe o meu
Que me afasta do teu
Sem nada entender
Sem nada compreender
Sem nada perceber

Tanto me proibiste
Tanto me negaste
Tanto me sentiste
Que me afastaste

Loucura proibição
Doida negação
Insana razão

O amor é assim
Proibidos que são
Nossos sentidos
Nosso coração
Chega ao fim

Perdidos os dois
Tudo negamos
Tudo abandonamos
Tudo deixamos
E depois
Fica o silêncio mais profundo
Ingrata escuridão deste mundo
E as ausências cumpridas
As mesmas permitidas
Em palavras perdidas no esquecimento
No limbo do sentimento
Guardo de ti
Pensamento
musa

DUETO INVERNO VERÃO com Teófilo Pinto


ÉS INVERNO

Fria estação de ventos vadios
Húmidos gelados que apetecem a lã
Dias cinzentos de bruma sombrios
Luz que rareia a doce manhã
Na alvorada de becos vazios
És Inverno em todo meu ser
Nos primeiros dias que viram nascer
A água das fontes e de todos os rios
Magnânima alma a transparecer
No gelo vidrado de ruas desertas
Caminhos de Inverno onde despertas
Todo o teu sentir a florescer
Passos quietos sombras perdidas
Dias invernosos de tantas vidas
No amor de lembranças secretas
És Inverno em sonho adormecido
A alva neve que ameaça cair
As árvores nuas em flor sentido
Hibernado amor meigo florir
musa

ÉS VERÃO

Os dias transpiram, desafogados pela brisa do mar
Céu azul celeste cirros em ausência cor pintados
Como tela quente que nos parece cegar
Num estio esperado sol em corpos bronzeados
São sonhos erigidos
Por Neptuno a uma qualquer sereia
Que à beira-mar são perdidos
Em frágeis castelos de areia
É o verão que acontece
Em dias longos e levianos
Que depressa se esquece
Mas através da vida os guardamos
São viagens que em fotos se misturam
De cores alegres que usamos
Amores de verão que não perduram
Sorrisos inocentes que não mais partilhamos
É o equinócio da sede, do refresco, do sabor do gelado
É a estação do ócio, da aventura e do teu beijo frutado.
Teófilo Pinto

sábado, 13 de outubro de 2012

DUETO com ALEXANDRE O’NEILL - HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM



"Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca."

Palavras nuas despidas
Em nudez emudecida
Há palavras cruas sentidas
De uma dureza atrevida

"Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto."

Há palavras silenciadas
Em ruas de altos muros
Palavras tristes amarguradas
Por quelhas becos obscuros

"De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor."

Palavras de doidas cores
Em surpreendidas poesias
Há palavras multicolores
De inesperadas ousadias

"(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)"

Há palavras de água e pedra
Amolecendo ou endurecendo
Letra a letra que assim medra
Onde o sentir vai crescendo

"Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte."

Palavras de um só destino
De um amor silenciado
De um sentir tão pequenino
De um poema abraçado
anabarbarasantoantonio

“Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'”

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A FLOR DO DESEJO...




Na luxuria de um jardim proibido
Colhi a mais rara flor do desejo
De aroma doce a um beijo
Arrebatou todo meu sentido
Enfeitiçou as pétalas de mim
Todo meu corpo despido
Na suavidade de tons carmim
Roubou o beijo proibido
Pousou os lábios nos meus ombros
Como se uma gota de orvalho fosse
Estivesse lá brilhando entre escombros
De todos os beijos o mais doce
De todos os sentidos o mais terno
De todos os instantes o eterno
Sentir de alma no peito
Em recônditos lugares perdidos
Como se o amor fosse o leito
De todos os jardins proibidos
Flor que por momentos tive na mão
Em desejos sonhos consentidos
Na luxuria de um jardim de paixão
No tempo do sentir feneceu
Plantada que estava na ilusão
De um amor proibido morreu
De um sentir que nunca foi seu
musa

DUETO PRIMAVERA OUTONO com Teófilo Pinto - Muse Unintended Lyrics HD





ÉS PRIMAVERA

És suave e tão doce
Primavera que nunca se desvanece
Se tua ausência não fosse
Em pesar que me acontece
És andorinha a esvoaçar
Sobre os céus da cidade
Beija-flor que me faz sonhar
Me apaixona e me traz saudade
És flor de campo agreste
Que de cor enches meu ser
Beijos de morango silvestre
Que de ti jamais me faz esquecer
És Sol e calor, sonho e sabor que me enlouquece
És a Primavera do amor que em ti, sempre me apetece!

Publicado por Teófilo Pinto

ÉS OUTONO

Húmus do chão que adormece
Nos meus sentidos suave e doce
Fio da teia que a aranha tece
Na clareira onde quer que fosse
Que eu tivesse que te encontrar
Em ausências e devaneios
O tempo seria amar
Hibernando em colo de seios
No meu aconchego pudesses ficar
Chão coberto de folhas amarelecidas
Como teias de amor tecidas
Em filamentos de doce ternura
No teu olhar que me enlouquece
A cada palavra dessa loucura
A cada verso que entristece
A cada poema que desvanece
Inconformados nessa procura
Que o tempo fez em nós estação
Primavera e Outono eternidade
Fios orvalhados de dócil paixão
Se tecem em poesia sensualidade
Que se escreve pela nossa mão

Publicado por AnaBarbaraSantoAntonio

http://teofilopinto.blogspot.pt/

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ARCANO


Tantas vezes me chamas Mulher
no gume luzidio do teu olhar
contem um brilho que fico a imaginar
Tantas vezes te sinto e senti
onde o tempo demora raízes
que eu nunca consegui alcançar
do nada e do tudo que tive de ti
dos dias tristes e dias felizes
que eu pude sonhar
Tantas vezes te consenti de sonhos
abri janelas sobre um mar maior
de par em par
calquei chão de rosas
chorei em tom menor
escrevi-te de poemas e prosas
Tantas vezes olhei
onde o sol se deita
na linha próxima do céu
ao morrer deixei
a cama de ti desfeita
num lugar que é só teu
Tantas vezes desejei ser
ponta de cabelos no teu pincel
de traços transparecer
o que deixo de palavras no papel
ser-te tudo e nada
do tempo que nos afastou
procurar morada
onde a voz se calou
Tantas vezes meu choro foi rumo
levando pensamento até a ti
amor fio de prumo
pelo que nunca senti
Tantas vezes me chamaste Mulher
nas primeiras horas deste ano
e eu... que sou mulher
chamo-te homem
meu Arcano
...
musa