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terça-feira, 18 de setembro de 2012

DUETO com DAVID MOURÃO-FERREIRA - PRESÍDIO


Nem todo o corpo é carne... Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
Às vezes linho, lago, tronco de árvore,
Nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?
   
E o ventre, inconsistente como o lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
É também água, terra, vento, fogo...
  
É sobretudo sombra à despedida;
Onda de pedra em cada reencontro;
No parque da memória o fugidio
 
Vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
Pois no teu corpo existe o mundo todo!

***
Do latim praesidium, que significa proteção
Serei eu teu doce seio onde te refugiares
Carne do corpo mármore para alisares
Onde o malho do desejo cumpra seu tesão

Ventre aconchego dos quatro elementos
Que a natureza gradeou de inspiração
Nem todo corpo é carne nem sentimentos
Que elegem a alma e aí se abrigarão

Sombras ocultas do sentido fugidio
Pedras da memória em despedida
Clareando tormento querer luzidio

Talvez manhã de Primavera crepúsculo Outonal
Erguida paliçada no teu corpo consentida
É toda esta minha vontade loucura carnal
musa

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