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segunda-feira, 9 de abril de 2012

FOLAR DA PÁSCOA


Desde a masseira até à mesa
Secular nobre tradição
As mãos da avó amassam o pão
Com ovos azeite e carnes do fumeiro
Numa salgada sobremesa
Que é lembrada o ano inteiro
Em Trás-os-Montes florido
Com cheiro a urzes giestas estevas
No forno bem aquecido
De enormes labaredas
Ficam as cinzas na fornalha
E o tijolo de cor branca
Tiram-se os folares da mortalha
Debaixo do calor da manta
Vão para o forno de lenha
Perto do rio a correr na azenha
Santificados pela mão
Já crescidos levedados
Em dia Santo de Paixão
De outros tantos consagrados
É Páscoa à mesa em Ressurreição
Espera-se o Compasso com a Cruz
Na aldeia transmontana
De Torre de D. Chama
Também aí morreu Jesus
E agora a minha mesa vazia
Já sem a companhia da avó
É uma tradição Poesia
Na azenha solitária mó
O rio continua a correr
Jesus está sempre a morrer
A avó não volta
Mas Cristo Ressuscitado
Regressa sempre em escolta
Do Compasso santificado
E o folar fica na mesa
A relembrar Cristo Louvado
Nossa única certeza
De um tempo desejado
musa

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