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sexta-feira, 30 de março de 2012

PRANTO POÉTICO ... a Ana Albergaria





























Grata Ana Albergaria pela tua magnifica voz, lendo o meu  poema em pranto poético…

Carinho Poesia

Maratona De Sentir Mar Poesia

Nos braços vagas da alma
Há todo um mar de sentir
Em espuma ondas de Poesia
Há todo um Ser que se acalma
Em vagas ondas a florir
Como se o poema fosse
Um jardim mar fantasia
De um colorido verso doce
Em maratona de euforia
Mar azul profundo
Que em terna alegria
Humedece olhar do mundo
Dá colo aos sentidos
Espraiados pensamentos
Marés de silêncios consentidos
Num desvairar de sentimentos
Praia de desassossegados tormentos
Rochas estáticas sobre a areia
E a água salgada de consentimentos
Que corpo e alma de inspiração ateia
Num fogo húmido de brando sentir
Em chamas de poemas ondulados
Como se a Poesia aqui viesse pedir
Cantem-me em versos azulados
Da cor azul de intenso mar
Da cor da tinta que sente
Da cor do olhar a naufragar
Onde o sol morre de repente
Esta força de sentir que não posso mais calar
Este brado eloquente ao imenso mar
Bravias marés de profunda Poesia
Numa Maratona de sentir em euforia

Ana Bárbara Santo António

AO MEU PAI gratidão de existir


Nem sempre entendemos todas as palavras
Sopros murmúrios brisas do vento toadas
Súbito arrebatamento por cumprir
Esquecidas todas as mágoas
Na gratidão de existir

Ensinamentos ainda que parcos
Ecoando como firmes passos
Flechas disparadas de arcos
Esculpindo do teu rosto traços
Que ficam na memória do sentir
Todas essas palavras por admitir

Nem sempre falamos do que amamos
Vacila-nos a coragem leve desalento
E em todo verso nos afirmamos
A cada palavra vil lamento

Ao meu Pai confesso dele não sei falar
Esteio amarra vínculo de todo meu ser
Aprendi pela vida outra nobreza de amar
Os passos do silêncio a transparecer

E em silenciado amor sempre me contive
No receio de palavras ainda por inventar
No respeito e na gratidão com ele estive
Reconhecendo afetos ainda por alcançar

Das palavras que não lhe tenho perdão
Omito consentida essa humedecida secura
Viverei o tempo em horas de solidão
A lembrar quanto fui fiel à terrível loucura

Essa desvairada de omisso sentimento
Que fica vadiando pela lembrança
Da existência do Pai um pensamento
Que me acompanha desde criança

Por toda a sua vida lhe agradeço
Parcas as palavras que assim lhe confio
Toda a compreensão que ainda lhe mereço
No sentir de gratidão a vida por um fio

Mais do que um Pai amigo e presente
Por todos os sacrifícios a não esquecer
Peço talvez perdão pelas vezes ausente
Das horas que perdi no seu silenciado viver
musa

SOMBRA

Sombra
É a voz declamada
Na utopia da luz
De negro escuro
Na forma cinzelada
A sombra traduz
Do verso maduro
Voz derramada
Ave poesia
Silhueta alada
Faz sombra na parede
Desenha a fantasia
No paladar da sede
Recorte da voz
Asas vocais
Sombreado triste
Esquissos de nós
Gumes em riste
Burilados punhais
Riscam a luz
A voz ecoando
Na sombra dos metais
Sombra esvoaçando
Ave loucura
Dorso tatuando
Cimo da altura
Na parede ecos
Gritos libertos
Rompem armadura
Da luz aprisionada
Em suave candura
Para além do escuro
Na sombra amarrada
Onde eu me torturo
E assim aventuro
Nesse obscuro
Feito nada
musa

BOCA DOCE

Queres-me eu sei que sim
No teu querer mordes seio do lábio inferior
Enrubescida boca de cor carmim
Lábios de açúcar brilhante
Adoça-me os sentidos de louco amor
Cada vez que fazes de mim doce amante

... e na boca doce adoças os sentidos
mastigas-me de açúcar cana de mel
trincas cristais dos lábios proibidos
saboreias rubros pedaços da pele
em suor melado de beijos e gemidos
gozas o pecado da gula doce fel
morres-me numa trinca doce e insana
como quem pinta lábios de boca profana
em beijos distantes e perdidos

em doce tentação de boca gulosa
açúcar melado de gostos pedidos
beijas de paixão lábios da rubra rosa
mordes de doce amor beijos consentidos
musa

terça-feira, 27 de março de 2012

MAR DE SENTIR (sábado 24 de Março 2012 – 35 mn/46 quadras)

“MAR
 De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar

“Mas nunca se sentem fartos”

“Sophia de Mello Breyner Andresen”

1-Em todos os portos do universo
Encalho de saudade e nostalgia
Em cada poema em cada verso
Me enamoro mais da poesia

2-Amo de amor forte e profundo
Gargantas perdidas ser e sentir
E desde que o mundo é mundo
Que eu não me canso de repetir

3-Como extasiada vivo ao segundo
Seio das palavras possa repartir
Mar de poemas onde me afundo
Náufraga solidão possa consentir

4-Com ela sigo proa de sentidos barcos
Nas águas balanço ao sabor maresia
Tenho olhos humedecidos e fartos
Deste sal das lágrimas da poesia

5-Choro canto em derramado rio
Que na foz se faz ao mar
E de inspiração preenche vazio
Em estuário declamar

6-É nas falésias pensamento
Em cais de sentir suspirado
É sal acumulado sentimento
Em versos aportado

7-Redes estendidas sobre areal
Gente das palavras pouco entende
Força que se ateia rude e braçal
O que no poema apenas pretende

8-Mar palavras de pouco sustento
Alimento sentimental da poesia
Apenas os poetas sentem o alento
No verso fundo mar da fantasia

9-Suspiro cada estrofe doce vaga
São marés cheias e marés vazias
Tanto desse azul que olhar guarda
Em praias solitárias e sombrias

10-E não me canso nunca de te cantar
Fonte salgada de eloquente prazer
Tão imenso este amor por ti oh! Mar
Amada me sinto por assim te querer

11-Cada grão de areia estendal sentido
Força imensurável razão de vida
Trágico naufrágio incompreendido
É o doce momento da despedida

12-Serão mais as areias do que os poetas
Mais imenso o mar do que a poesia
Nada como a intensidade que despertas
Quando corre o rio da melancolia

13-Todas as águas que recolhes em ti
E dão-te o ser e a profundidade
Todas as mágoas que já senti
E dão-te o ser e a identidade

14-Oh! Mar salgado de todas as penas
Mar de rios caminhos e destinos
Mar alterado que de ondas me acenas
Mar de sonhos saudosos clandestinos

15- Fico assim pasmada diante do azul
Que nos olhos se enche de admiração
Perco-me no sentir do norte e do sul
Tal é esta minha incansável paixão

16-Mar que emudece meu pranto olhar
Desfalece cascos em águas quietas
Macios abraços nas pranchas de surfar
Em bolhas de sal aos olhos libertas

17-Identificaram-te de Costa Verde
Mar desordeiro de douradas dunas
Nele espraio meu sentir e minha sede
Todo salpicado de misteriosas runas

18-Mar de berços de afamado sal
Salinas de outros tempos Marinha
S. Félix cantinho de Portugal
Que agora faz parte da minha sina

19- Paragens de encantado namorar
Mar que de palavras tu me ensines
Do choro das lágrimas transbordar
A ponto que um dia ainda estimes

20-Não sei se alcançável serei
Como planetas ou as estrelas
Nunca o universo almejei
Para assim me comparar a elas

21-Mas as palavras do mar o brilho
Ofusca reclamada tentação
Seguir-lhe atentamente o trilho
Que me leve a essa sagração

22-Fazer da poesia marítimo canto
Hino de prece que de amor enaltece
Nobreza do pensar ode pranto
Que em palavras se tece

23-É tão descomunal este mar de sentir
Que às vezes naufrago dentro de mim
E dou comigo sensata a concluir
Que nem a morte trará meu fim

24-Surpreendida capaz de outros desejos
Faço-me ao mar de palavras em casca de noz
Deixo-me embalar por murmúrios e beijos
Escuto-lhe sussurros atendo-lhe a voz

25-Sei que ele já foi de outas poetisas
Sei como lhe foi rei em trono de sentir
Estendeu seu manto consultou pitonisas
Foi musa aclamando navegante existir

26-Mar que da estranha vida devolvida
Secreto bailado de sal e de espuma
Trazes nos corpos a morte escondida
Das ondas que arrastas uma a uma

27-De praias extasiadas e nuas de luar
Espelho de águas no verso humedecido
Todas as noites bailam no soluçar
Das pedras gastas de choro incontido

28-À flor da água pétalas de claridade
Reluzem de prata ao calor do sol doirado
Mesclam de cores o azul tonalidade
O mesmo anil do meu olhar enfeitiçado

29-Penas de gaivotas pássaros de luz
Ecos de fantasmas ou de outras almas
Este mar sonoro que tanto me seduz
Que quando calmo parece bater palmas

30-Nos dias tempestuosos sinto-lhe o arfar
Gigantesca crina que tomba de rompante
Qual estro marinheiro em secreto bailar
Da vaga poderosa sobre corpo do amante

31-Circulos de luz metáforas geometrias
Vagas que se soltam em espraiadas dunas
Arrasam e arrastam areias em euforias
Ondas armadas altos mastros de escunas

32-Ébria sede amor palavra erotizada
Praia a praia sacio-me de sensualidade
Comungo do vento sol chuva amantizada
Em ténue fusão de metafisica saudade

33-Sei-lhe o amargo gosto no gume fugidio
Faca com que corta o pão de marinheiros
O quanto do desgosto no brilho luzidio
Dos raios ao luar serenos traiçoeiros

34-Consagrado às Nereidas ninfas do mar
Cabo do verso mais profundo que o medo
Da loucura fome de todo esse trespassar
Quando a noite vigia o perigo em segredo

35-Mar que sejas em mim fonte nascente
Para lá de todos os horizontes percorridos
Ao meu sangue acorre apenas um afluente
Que leva na enchente todos meus sentidos

36-Tem maré de alto e baixo sentir
Escarpas molhadas liquénicos mantos
Concha arroladas nacre duro vestir
Na pele enfraquecida dos quebrantos

37-Mar de intempéries leis do profano
Ergo-te santo altar de sentidos ateus
Na areia da praia deixo desejo insano
Terrena consagração dos versos meus

38-Mar Poesia caminho profundidade
Quanto do teu sal são lágrimas doces
Ainda que o berço de toda a saudade
Mel dos meus olhos queria que fosses

39- No destino dos homens marinheiros
Deitam-se redes apanhando memórias
Todos quantos já foram prisioneiros
De sereias em muitas belas histórias

40- Não sei dizer o tamanho desse amor
A cada dia que lá vou encher meu olhar
Abro os olhos que desabrocham a flor
Com pétalas de um azul intenso mar

41- Poderei morrer em terra no chão
Caída qual flor que murcha ao tempo
Mas à flor da água do mar na solidão
Esvoaçarei penas da alma sentimento

42- Mar que palpita doce quente tamanho
Veias de sangue translucido maresia
Nesse sentir imensidade tão estranho
Que fica por dentro a soluçar nostalgia

43- Praias de tantos lugares desencontradas
Areias tão perdidas em fabulosos recantos
Marés vagas e mansas de ondas reboladas
Como choros sentidos melodiosos prantos

44- Fora eu vaga nas tuas águas escondida
Bailando areias finas de passos de danças
Ritmando de paixão o tempo o ser e a vida
Menina dançarina de espumosas tranças

45- Sou apenas uma mulher digna do pensar
Com portas azuis a uma alma prenhe loucura
Tenho umas escadas que sempre levam ao mar
Todo o pensamento que se faz dessa procura

46- Procuro em ti oh! Mar procurei sim
Para além de todo o sentir dessa espera
Todos os anos vividos dentro de mim
A cada tempestade a vida que desespera
musa

quarta-feira, 21 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA POESIA – 22 LÁGRIMAS

Chorarei todos os dias
As vinte e duas pétalas tombadas
As urnas brancas prostradas
De inocentes vidas roubadas
Crianças de Poesias

Chorarei o poema emotivo
Das flores imaculadas
Na morte aprisionadas
As vidas vazias
Sem sentido
Sós e frias
Incontido
Choro

Chorarei mães pais irmãos amigos
Que dão colo às lágrimas impensáveis
Que rolam nas faces incontáveis
Que levam gotas imemoráveis
Em rios de mágoas e de perigos

Chorarei as lágrimas do verso
Refrão onde me demoro
Nas palavras cheias de tristeza
Com que deste dia me despeço
Comemorando da Poesia a beleza
De tão emocionado sentir
E delas poder me despedir
Com as lembranças que vão ficar
A dor por dentro inteira a soluçar
Procurarei ver nesse refulgir
Contemplação de estrelas do universo
Luzindo no seio madre da escuridão
Todo seu brilho disperso
Entre as mais iluminadas do olhar
Estampadas em sentida emoção
Risos de crianças a brincar
Enamoradas
De vida

Chorarei a indignação
De tanta criança perdida
Triste amarga condição
Chorar esta despedida
No sentir da solidão

As vinte e duas lágrimas choradas
Serão no céu e na terra para sempre lembradas
Como todas as crianças que morrem a cada dia
Mesmo não sendo DIA MUNDIAL DA POESIA
musa

terça-feira, 20 de março de 2012

Madredeus - O Mar "Saudade"



Chamo por ti
Nomeio-te em pensamento
Tanto que de ti já senti
Grito-te no vento
Reclamo teu olhar azulado
Que de mim eu já te vi
No espelho do outro lado
Mar que ficou saudade
Desse azul que perdi
Pátina de brilho humedecido
Tem no anil tonalidade
De um vidro escurecido
Espelhando o céu
Cor serenidade
Ao meu sentido
Clamo presença do mar
Que no olhar é meu
Estendo a voz a chamar
Por ti fico a soluçar
Grito que azul emudeceu
Surdo murmúrio a deslizar
Da garganta dorida
Que em vagas de hortências
De pétalas a desabrochar
Na flor de todas as inocências
Parece uma nuvem florida
Sobre o céu do alto mar
De nuance colorida
Que ondula meu sussurrar
Até ao além desta vida
musa

segunda-feira, 19 de março de 2012

DIA DO PAI - REI MEU PAI - O TEU LUGAR

No jardim da vida

Ficará sempre o teu lugar
Sobre o relvado verde
Matarei a sede
Quando te lembrar
A cada dia de despedida

Saberei decifrar
Sinais de partida
Porque nessa lembrança
Haverá uma rosa
Sinal de esperança
Sobre um banco vazio
Sentirei o frio
De uma saudade desejosa
De ainda te falar
De uma fala silenciosa
Que tu sempre soubeste escutar
Em dias de silêncio prazer
Que sempre fizeste por merecer
E eu tentei seguir esses passos
Em nós soltos e laços
De paternal união

Mas na minha solidão
Jamais pude compreender
Cheguei a meio da vida
E nada pude alcançar
Nem tão pouco entender
Esta minha missiva
De em poesia me dar

Querias que fosse como alguém
Mas nunca tive muitos amigos
Sempre superei todos os perigos
Contando com o colo de minha mãe
E as ajudas têm padrinhos

Caí e levantei-me pelos caminhos
De orgulho guardado no peito
Tracei rotas de muitos destinos
Com sucesso ou sem jeito

Mas meu Pai neste teu dia
Dias bons apenas algum imperfeito
A tua vida é a melhor poesia

Ao teu Ser em homenagem
Presto-te PAI vassalagem

No meu reino tu és REI
...
musa

VELEIRO

O meu sentir
Imensidão de mar
Sal a refulgir
Joia em doce ondear
Catedral marítima
Interior de um navegar
Errante solidão
A alma um casco de veleiro
Em união tão íntima
Corpo de águas tinteiro
De azuis lágrimas
Luzidio solitário
Em dedo de vagas
Mão do meu sentir
Velas do olhar
Desfraldadas
Palavras a luzir
No espelho do mar
Poesia
musa

Artista: Eduardo de Martino (1838–1912)
Título Português: Veleiro em alto mar
Data desconhecida - Óleo sobre tela: Dimensões 27 × 31 cm
Localização atual: Museu Nacional de Belas Artes


domingo, 18 de março de 2012

NUNCA TE DISSE

No alvorecer
Ternas lembranças
Nunca te disse
Doces esperanças
Meigo prazer

Que a vida prende
Que o sonho atende
Que a poesia surpreende
Tantas vezes o ser

Toco cambraias de sentidos
Presos nos ramos do pensamento
Na trama da alma em movimento
Palavras em fios desprendidos
Dizem tudo em sentimento

Alma a florescer
Sem tempo

Nunca te disse
Nem nunca te contei
Mas posso dizer
Que de versos bordei
Finos tecidos
A ponto de sentidos
Com linha do ser

Sentada na soleira da palavra
Ponto a ponto a coser
De bastidor na mão
Poema cheio crivo de mágoa
Tentando entender
Como nunca te disse
Que bordo a solidão
Numa reinvenção
Em ponto de poesia
Trabalho de artífice
Que dignifica a fantasia
De assim ser

Como te ocultei
Todo este sentir

E nunca pude admitir
Que pela poesia me apaixonei
E toda ela tomou conta do meu ser
E ainda que não possas compreender
Jamais o neguei

Nunca te disse
Nunca te mostrei
Dos meus dedos doridos
Das minhas mãos empedernidas
Dos meus olhos humedecidos
Das minhas lides esquecidas
Nesta paixão cúmplice
Linhas de tantas vidas

Que trago da meninice
Nunca te disse
Eu sei

Mas agora que te contei
Quero-te dizer
Agora te conto
Para que me possas ver
Onde ponto a ponto
Me bordei
O Ser
musa