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sábado, 29 de dezembro de 2012

DUETO COM Amália /**Cansaço**/



CANSAÇO
Amália Rodrigues

Por trás do espelho quem está
De olhos fixados nos meus?
Alguém que passou por cá
E seguiu ao deus-dará
Deixando os olhos nos meus.
Quem dorme na minha cama,
E tenta sonhar meus sonhos?
Alguém morreu nesta cama,
E lá de longe me chama
Misturada nos meus sonhos.
Tudo o que faço ou não faço,
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.

***

CANSAÇO

Por ti nem tudo é feito
O que esse espelho revela
As penas guardas no peito
As cores no olhar tela
Por detrás do espelho está
Olhos fixados nos teus
Alguém que lembrará
A mão divina de Deus
E os sonhos desse sentir
Nos teus sonhos misturados
É a ave que vai partir
Dos sonhos não guardados
Quem dorme e morre na tua cama
Adormeceu o cansaço
De lágrimas penas e lama
Do tanto que eu já não faço
E ainda faria assim
Deste meu leve cansaço
Dando aos outros tudo de mim
Desta dor de que não me desfaço
Ai solidão que me arde no peito
Onde cansada me sinto
Quero descansar no meu leito
Desta dor que já pressinto
musa

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

OLHAR INSATISFEITO


Por um olhar insatisfeito
Fechei os olhos não mais quis ver
Guardei saudade dentro do peito
Não mais sorri deixei de ser

E o mundo todo se cobriu de escuridão
Diante do olhar a tristeza iluminada
Era a terra toda vestida de solidão
Era a minha vida à cegueira consagrada

Possa não mais ver não mais sentir
O peito aberto a essa dor insatisfeito
Nas veias o sangue da loucura a florir
Como vermelhas rosas sobre o meu leito

Quanto do meu ser nesse olhar fica fechado
Se um dia a loucura em abraços me tiver
No regaço da insatisfação o olhar amordaçado
Presa à noite à escuridão não deixarei de ser Mulher

O corpo a alma o tempo em negras palavras
A dor de sentir que a luz assim se apaga
Por dentro ficam em mim já tantas mágoas
Que o medo por amor na minha pele afaga
musa

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

POEMA DO FIM DO MUNDO


POEMA DO FIM DO MUNDO
21/12/2012

Que seja o fim de todas as coisas
Princípio do medo sem silêncio
Escuridão dos tempos urdidos
Na imensidão de todos os sentidos
Que seja início de novos sentires
Solidão dos que presos se sentem um só
À terra toda que servirá para os cobrir
Até que voltem a ser apenas pó
E no mundo deixarem de existir
Não haverá luz nem o perfume das flores
Não haverá a chuva em ventre de orvalhos
Não haverá a sombra a dançar no vento
Ninguém mais sentirá dores
Nem os pássaros virão cantar sobre os galhos
Até que os dias voltem a ser tempo
Surgirão das trevas outras horas
Jamais de silente sentir iluminadas
No embalo de todas as demoras
Que possam de sonhos ser sonhadas
Guarda-se a vida em supremo sentir
Não houve tempo de construir a arca de Noé
Os rios correrão até aos mares sem desistir
E possa o homem novo por em chão firme o seu pé
E a nova terra brilhar por outros olhares
Enfim em céus de cores nunca vistas
Porque o fim do mundo é tu não acreditares
E o começo ensina-te a que nunca desistas
musa

DEVOLVE-ME OLHAR


Poesia de azul sentir
Em tons de cinzento céu
Como miosótis a florir
Na sombra de escuro breu
Renascida escuridão
Que esse olhar meu
Abre portas da solidão
Com asas de palavras
Sonhos floridos
Sombras aladas
Secretos sentidos
Florirei poesia
Em tons azulados
Esquecerei um dia
Meus tormentos passados
...
musa


Devolve-me a luz
A acuidade do ver
O sentir do olhar
Devolve-me o prazer
De tudo com os olhos escutar
Neste imenso sentimento que seduz
Tudo o que possa ver e amar

Devolve-me o sangramento
De tudo o que existe e fica a doer
Devolve-me o pensamento
Do existir e do ser
Do ver do olhar
Com todo prazer

Devolve-me as formas os contornos
Os rostos com traços e linhas
Os corpos inteiros formados
Os lábios mordendo silabas
Os olhos doces e mornos
As expressões mais pequeninas
Os vincos os sulcos rasgados
As rugas desnudando a idade
Os risos desmesurados
Nas meninas do olhar a saudade
De ver com olhos de tudo
Romper silêncio e absurdo
Deste mundo deformado
Onde ver é uma ansiedade
Um jogo de formas e feitios
À margem da realidade
Onde a devolução dos riscos sombrios
Faz do meu mundo triste e frio
Rostos sem identidade
Rostos sem acuidade
Rostos sem serenidade
musa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

12 SENTIDOS


12 SENTIDOS

Doze sentidos escritos com tempo
Doze sensações descritas do ser
Doze estados de contentamento
Doze emoções vividas com prazer

12 numero composto
12 numero abundante
Do instante deposto
Do sentir delirante

Doze momentos do pensar
Doze vontades do pensador
Doze silêncios por conquistar
Doze gritos do orador

Ao doze me curvo perante si
Venero o numero dos escolhidos
Doze em tudo o que escolhi
Doze foram os protegidos

Prostrada ao sentir pensante
Em doze tempos imploro
As doze horas adiante
Que por doze vezes exploro
...
musa

Paris 12/12/12

domingo, 9 de dezembro de 2012

À TERRA TODA – Homenagem a FLORBELA ESPANCA 08/12/12


À terra toda minhas cinzas vão levar
Restos mortais vão partilhar
Meu ser que não é mais vão dar
Quando meu corpo forem a enterrar
Eu não estarei mais aqui
Terão um corpo morto
E eu já terei chegado a bom porto
Estarei em qualquer lugar
Não serei mais o que vivi
Não serei mais o que sempre senti
Não estarei mais aqui
Dos meus sentidos serei silêncio e poesia
Da minha carne as cinzas em flor
Da minha pele a dor
Levem poemas para me recitar
E antes da alma me chamar
Que de palavras sonetos esfria
Soltem a voz do sentir
Soltem a voz como bandos de aves
Ecoando sussurros pelas naves
Em voo rasante a me declamar
Deixando as penas a despedir
Não quero choros lagrimas prantos
Sobre a ausência do meu ser
Quero do vosso sentir os encantos
Que em vozes húmidas sagradas
Na poesia deixam transparecer
Poemas preces de asas
Que rogam da vida seu belo prazer
E deixam em despedida tudo dizer
Quando diante de vós meu corpo frio
Tiver a imensidão do vazio
E a pequenez do sentir
Lembrem-se da solidão do poeta
De toda a sua vida tão deserta
Em lividez consagrada
Do tanto que sempre sentiu
Do nada que nunca existiu
Da melancolia arrebatada
A cada palavra proferida
Da agonia amordaçada
Que a poesia sentida
Lhe deu em inspiração redobrada
Como se a doce vida
Em si estivesse encerrada
E no instante da partida
Fosse libertada
musa

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ALVORECER DA ALMA


Há em minha alma
Cansada e triste
Um luto uma ilusão
Um céu coberto de açafrão
Um cheiro a pólvora por queimar
Há no meu olhar um sol que resiste
E teima em brilhar
Um mar a descoberto na minha mão
Um céu ainda incerto sem razão
Um sonho que insiste
Vou dar-te o sol a luz
E este entardecer
Azul que me seduz
Desde cedo o alvorecer
Vou dar-te o corpo a alma e o sentido
O certo o errado e o proibido
A desilusão de ser o que não sou
Dos teus lábios o beijo perdido
O dia a tarde a ave que voou
E a noite que traz o sonho adormecido
Vou dar-te o sangue e o meu segredo
As veias como a chuva a chorar por mim
A loucura o destino e o medo
E esta vontade de ser assim
Noite que acontece dia que amanhece
Numa alma cansada e triste até ao fim
Tristeza que insiste chorar-te assim
Loucura que resiste dentro de mim
Alvorecer da alma que de luz se tece
Em tons de açafrão e de carmim
E por dentro toda me esmorece
musa

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AMOR EM RUÍNAS


Ainda agora chamas por mim
Inundas-te na liquidez embriagada
Com que me bebes até ao fim
Na tua boca molhada
De mim

Os teus lábios molhados de prazer
Abrem valados de tépida excitação
São como um sol ao entardecer
Que se enterra no mar em solidão
E seus raios fazem humedecer
Pele humidade doido tesão
Toda a nossa vontade a escorrer
Na flor da pele em sedução

É sempre assim quando nos encontramos
Nossos corpos endurecidos num poente
Sobre uma cama profundo oceano nos amamos
No calor adocicado das nossas mãos e pele quente
Deitamo-nos com a loucura de saudosos amantes
Onde morrem tantos sóis em horizontes distantes

Cobrimo-nos de beijos em colo de profano olhar
Fazes de mim deusa em teu sagrado altar
Sacias-te do desejo mais cruel e insano
Sem quereres saber do beijo o seu tamanho
Até entrares em mim esgotado e provocante
Gozando até ao fim teu doce querer de amante

Fazia tempo que não te erguias do meu chão
Como o vento amansando dunas e colinas
E a chuva molhando a terra cada estação
E o sol dourando barcos nas marinas
E a bruma cobrindo vales e montanhas
Deixando a descobertos as ruínas
Depois dessas horas tão estranhas
Fazemos o amor e partimos
E por dentro de nós ruímos
musa

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

GRATIDÃO POÉTICA - Alcione - Obrigada



AGRADEÇO OS VOTOS DE PARABÉNS E RETRIBUO COM O MELHOR QUE SEI FAZER… PARA TODOS VÓS… POESIA

GRATIDÃO POÉTICA

Grata pela palavra acolhida
Pelo verso sentido
Esta partilha de vida
No poema consentido

Busco do sentir consentimento
O pensamento permitido
Na leveza do sentimento
Gratidão deste pedido

Aos Amigos da Poesia agradecimento
Tantos os poemas já partilhados
Tanto o sentir deste contentamento
Por todos os poemas espalhados
Em páginas de amor deslumbramento
Nas almas e nos corações guardados

Ficam memorizadas estrelas de universos
No vasto cosmos do nosso sentir
Damo-nos em palavras nesses versos
Como se bastasse assim existir

Sois a razão mais do que suficiente
Para sermos Poesia e sentidos
Sois o cerne do poema que sente
Por palavras versos vivos
musa

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

PARTIR


Em busca de um reencontro
Sem nunca olhar para trás
Sem ver luto ou choro
Interior confronto
Nada satisfaz
Nesta dor em que me demoro
Já tanto me faz
E tu… onde é que estás agora
Porque esta minha demora
De contigo partir
E a tua partida sentir
Nesta alma que chora
Triste sentida
Poder partir no desvario
Desse olhar vítreo frio
Desapegado da vida
Cansei de existir
Cansei desta dor
Cansei do ser
Quando eu partir
No luto no choro no amor
Levarei prazer
Será um caminho sem fim
Um pontão a lugar nenhum
Um adeus sem doer
Um soltar-se de mim
Todos os medos um a um
Todos os avessos do esquecimento
Todos os recomeços do descontentamento
Partir por essa estrada fora
Por cima da neblina densa e mansa
Onde o meu sentir descansa
E o pensar se demora
musa

PARA TI


antes de partir... quero deixar PARA TI

Nunca escrevi para ti
Mas hoje ao fazê-lo
Estou a eternizar as palavras no teu sentir
Desenrolando beijos do novelo
Da lã dos afetos
Onde despertados secretos
Tecem o mais doce sentido que possa admitir
Para ti

Não é um poema de amor
Daqueles que fazem ninho nos beirais
Esteio de silêncio dos umbrais
Que na amargura e na dor
Possam consentir
Voos de ausências
E também permitir
Todas as desistências
Cumpridas pela tua existência
Onde o meu sentir faz ninho em ti
E cumpre amor

Acordo e demoro-me
Na tua pele no teu gosto no teu sentir
Namoro-me
Não quero que me ames de amor
Quero somente o teu cio
O grito o pranto o torpor
Dos bicos dos dedos dos seios
O calor entranhado no frio
De todos os teus desejos
Donde eu sempre possa partir
De caricias e ternos beijos
Sem entraves nem enleios
Quero a tua sede e a tua fome
Saciando a carne do alimento
Veios de sémen e saliva
Além de todo o sentimento feito de ti
Quero o querer da tua mão esquiva
A vontade e o prazer
Com que partilhamos tesão
Não quero que me ames
Só quero que nesse não querer
Permitas romper com a solidão
Sintas somente do prazer de sentir
O que nunca tenhamos que admitir
Tudo o que esta para além do amor
Tudo o que está para além da dor
Tudo o que paira entre tesão e vontade
Somente o desejo de um beijo
No colo farto da sensualidade
Onde se permite o ensejo
Desta nossa cumplicidade
musa

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

DUETO com LUIS VAZ DE CAMÕES - Gonçalo Salgueiro /**Alma Minha Gentil**/



Alma Minha Gentil, que te Partiste

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

E A TERRA QUE AO FÉRETRO ASSISTE

E a terra que ao féretro assiste
O céu que de lágrimas te chora
Este corpo de saudade que resiste
Esta dor que por dentro se demora

Sofrimento que caminha nesse pranto
E sobe ao altar do céu azul de amor
Sabe-me a carne a alma tão só a dor
Descontentamento que fenece encanto

A dor a mágoa mais profunda
Em mim tão só há-de ser
Mortalha triste e funda

A Deus peço levar-me desta vida
Não mais sinto nem tenho prazer
De viver tão só assim sentida
musa

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SILÊNCIO


para o Charlie Brown (levei tempo a consentir dentro de mim escrever-te um poema… mas o tempo trouxe-me as palavras em silêncio…)

a voz de um anjo...
Levar-te-ei pelos dias
Pelo tempo
Incrustando nas pedras
A dureza do sentir
Silenciarei o sentimento
Em coração empedernido
Amolecendo sinestesias
E nesse cruzamento sentido
Doce silente pensamento
Faço-me palavras ousadias
Sinto o teu olhar
Em sonoridade aveludada
Um frémito ardente
Amanhecia o silêncio flor
Em sublime imensidão
Teu sentir consente
Da voz o odor
Do silêncio a paixão
Há entre nós
A palavra a florir
Uma nova estação
Talvez a primavera
Dentro de nós consentir
Em doce renascer
Há entre nós
O sonho e a ilusão
Esta vontade severa
Que nos faz viver
Esta louca razão
Sem nada saber
Sem nada querer
Se sim ou se não
musa