Cartão de Visita do Facebook

terça-feira, 28 de junho de 2011

RECUSA


Acudo ao teu horizonte
Onde vertidos meus olhos
Gritam nos teus desabridos
Por vales e montes
Loucos varridos
Urros sentidos
Em silêncio
De mim
Levo contra muros
Ecos murmurados
Trémulos inseguros
Dizeres amordaçados
Soa a voz queixosa
Desse doido sentir
Em suave prosa
Leve fluir
Pesarosa alma
Anima só
Feita pó
Que vento leva e espalha
E na voz coalha
Sussurrando alento
Por vales desabrigados
Montes despidos
Trave sustento
Pensamentos inanimados
Sentimentos perdidos
Fluo insustentável
Quase admirável
Rumo sem norte
Deixo-me ir
Leveza de sentir
Azar ou sorte
Nunca saberei
Do que sou e pretendo
Às vezes nem me entendo
Dou comigo a pensar
Sem ajuda sem lei
Posso ou não recusar
Consciência ou poema
Certeza ou dilema
Quem tomará conta de mim
Como vou terminar
Como será o fim
Quando eu desistir
E me recusar
A não partir
musa

quarta-feira, 8 de junho de 2011

CAFÉ DA MANHÃ

Levo-te o café à boca
A noite parece ainda dormir
No umbral do teu olhar
Parece ainda sentir
Belo intenso madrugar

O gosto da madrugada
O chilreio dos pardais
A manhã já clareada
Luzindo gume de punhais

Onde foi que nos pedimos
Onde foi que nos perdemos
Os olhares que nos sentimos
Os beijos que nos demos
As palavras que gostamos tanto
As âncoras os nós os remos
Perdidos de riso e pranto
Por tudo que ainda temos
Por tudo o que já tivemos


Os beijos que amanheciam
Em vale de lençóis floridos
Nossas bocas se pediam
Em olhares enternecidos

Mãos cortando o silêncio doce
Presos gestos na escuridão
Como se ainda a noite fosse
A esconder nossa paixão

E o café dessa manhã
Fica na mesa a arrefecer
Madrugada doce avelã
Que nos faz acontecer

Da tua boca lábios romã
Trazes de noite a tua fome
A pele sabor canela e romã
A romper o dia que ainda dorme

Pele que eu sacio sem saber
Ternura que me sabe no peito
Bebo-te café aroma prazer
Em cafezais no nosso leito

Sacio loucura na tua sede
Quanto mais amo mais louca sou
Dominada inteira na tua rede
Sou companheira e a ti me dou

Não sei se vivo se vou morrer
Ainda a madrugada acontecia
O café já não pude beber
Pois tua pele me arrefecia

Em calor ardente dócil distante
Tinha o dia em mim a começar
O sol rompia como amante
Da noite que amei e estava amar
musa

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SER CRIANÇA SER MENINO


Hoje é o dia da CRIANÇA
Mas nem sempre se lembram de mim
Por vezes nem vivo a infância
Encurtando-me o fim
Terei uma vida longa e feliz
Cabe aos adultos dizer
Ser menino e ser petiz
Ter seu tempo de aprender
Acima de tudo o afecto
Às vezes tão ausente
Como um sonho secreto
Contado a toda a gente
E nessa inocência tão pura
Acreditem poetas
Só queria sentir-me segura
Nas vossas mãos abertas
Ter mil colos de carinho
Ter mil abraços de ternura
Os versos mais profundos
Cuidarem do meu destino
Aos olhos de tantos mundos
Ser CRIANÇA ser MENINO
musa