Cartão de Visita do Facebook

terça-feira, 28 de julho de 2009

HOJE ESTOU TRISTE

Hoje estou triste
Assim me deixaste solidão
De uma noite sem luar
Vieste conhecer-me na escuridão
Que acontece todos os dias
Perto do mar
Assim a vida se reduz
A um punhado de fantasias
Que um olhar seduz
Olho as minhas mãos
Pobres mãos vazias
Sem esperas sem dádivas sem luz
Que no imenso mar vão semear
Vagas ondas melancolias
Que ninguém vai colher mas que compus
Em tempo incerto delirar
Cansada amarga e só sem nada meu
Ainda sinto travo de esperança
Ainda sinto ter os olhos teus
O beijo que tu não me deu
A timidez e o sentido de ser criança
Deixando-me apenas um adeus
Amizade que nunca prometeu
Saudade feliz leve e mansa
Que se fazem vagas sentidos meus

domingo, 12 de julho de 2009

INFINITO MAR

Surpreendida Tu... MULHER... és o infinito em tudo Dividida Corres de fronteira sensato e absurdo Nunca se sabe onde começas onde és a primeira nem onde acabas Tens o sentimento cego surdo e mudo Morres á tua maneira na praia de sentidos e ondas bravas És imensa como o mar Deliro essa tua ousadia Essa tua grandeza de sentidos Rio vibrar na tua alegria Dou-me de prazer em gemidos Acabo a suspirar Amo a tua paz Adoro a tua doideira Ser-te feliz já tanto faz Amamo-nos de brincadeira E nessa infinita tristeza Buscamos e queremos mais Vivemos de incerteza Sem nunca sermos iguais Buscas ninho na minha vida incerta Galho verde para teu poiso sedutor Nesta nossa quietude discreta Envolvemos paixão e amor Mas pássaros livres não se dão em cativeiro E nossos sonhos têm asas para voar Disse-te que tu eras o primeiro Repito e volto a dizer Sem ter medo ou me cansar Amo-te de prazer Pelo prazer de amar

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MORADA ABERTA

Sou morada aberta

De todos os chackras proibidos

Passagem secreta do karma virtual

Fluxo de todos os sentidos

Na busca fatal

À procura de mim

No outro inventado

O pajem de cor carmim

Pelo bolso rasgado

Tombam-se as almas perdidas

Arrastam-se numa fuga deliberada

À mão das energias vendidas

Pela auréola resplandecente

Assim libertada

Numa meiguice de mãos impostas

Como uma brasa incandescente

O corpo deitado de costas

Num ritual indecente

As mãos lambem o lodo carnal

Excreções adocicadas de água e sal

Amassam

Sulcam

Repuxam

Toda uma maré de sentidos

Sensações de esforços que abraçam

Os olhos fugidos

Às visões cruas da nudez

As mãos nuas ungidas pela nitidez

Enlaçando o olhar de calor

Numa meiguice e timidez

As forças perdidas

Num gesto de dor

Rendidas

Ao espalhar os óleos sagrados

Numa ânsia ardor

Sentidas

Limpam todos os pecados

Da vergonha

Do pudor

E da insensatez

Com a mesma simplicidade

O mesmo querer

Como se cheira uma flor

Sem saber

Na verdade

O que se fez

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ALMA MAR

Em toda a minha alma há um mar
Imenso
Húmido
Salgado
Perdidas dos meus olhos saem ondas na maré-cheia
Vazias ao olhar de um sol escondido
Sobre um céu mar remansado
E o meu corpo um imenso areal de areia
As dunas o meu peito
As lágrimas o sal
Os meus olhos o mal
Num choro abraçado
Rolando no meu ventre a praia de sentidos
Conchas e búzios e sonhos perdidos
Onde eu me deito
O meu segredo a orla húmida e molhada
De ondas de espuma branca e fios de algas
O meu leito
A maciez das algas castanhas e viscosas
Caindo sobre mim como uma manta de cores lustrosas
De bruma espessa opaca e salgada
Perdida entre vozes estranhas
Entre ondas barulhentas e silenciosas
Que contam da alma
Vagas saudosas e lentas
Que vão e vêm
Do tudo e do nada
Trazendo toda uma timidez profunda de mar
Vida em tudo que a tem
Nas obras mais belas
Em toda a minha alma
Há um oceano de altivez a transbordar
De mágoas e de penas
De mastros e de velas
E toda eu
Sou uma ilha solitária
Onde ninguém
Lá consegue chegar
Porque sou apenas
Eu
Em mim

PORTAS DA ALMA

Fecham-se todas as portas
E fica dentro de mim
Uma alma poetisa de mil caras
Vêm morar-me poetas
Prosadores tiranos da escrita alma
Uma musa meiga e triste
Sonhadores de prosas secretas
Armados de pena em riste
Prontos a lutar pela palavra essência
Vendilhões corridos a pontapé
Pela escadaria do templo
Rolando por entre resmas de folhas vazias
No fumo do rapé
Vão os meus sentidos
O meu ser dividido
A minha alma besta
Das minhas mãos soltas
Saem amarrados poemas de liberdade
Imagens tão sombrias
Sólidas Vontade
Uma sombra dura como a luz das trevas
Rimas de vão de escada
Sonetos cruéis como sóis negros
Formas gélidas
Laivos de vaidade
Amargas como ervas
São essas palavras de bocas ofuscantes de medos
Caras que não sou eu
E um olhar
Atravessando a minha vida
Seguindo o trilho de todos os segredos
Como se uma fome de morte por lá quisesse passar
Por uma rua sem saída
Uma estrada longa e lenta
A caminho da alma
Desejosa e sedenta
E eu quisesse chegar
Queda e fria
Cálida
Ao altar
Da poesia

TEMPO POESIA

Sou toda o tempo
As horas roubadas ao tempo de dormir
De longe o tempo do mundo
Eras tu que me contavas
Desse fugaz momento
Em bandos de palavras
Desprendida num choro de lágrimas
Ao morrer de rir
Eras tu
Um sentido tão profundo
O tempo de fechar os olhos tão cansados
Os nervos da mão entorpecidos e esgotados
O tempo de acabar esta rima
De afagar a mão que se estima
De quem nos vem lembrar
Que é tempo de dormir
E com os lábios a sorrir
Diz que vai sonhar
Talvez partir
Mas a poesia é voraz
É tempo de sentir
É algo que em alegria nos faz
Sentir o fervor destes versos ateus
Sentir escrevendo com o pensamento
A força do olhar silêncio na palavra sentida
Pelos olhos meus
Sentir
Que viver
Que o tempo
Que a vida
É apenas o momento
De morrer
Sentindo
Poesia

ALMA MULHER

O que sou eu

Sou Mulher
Ainda que aos teus olhos
Seja melancolia
Sou Mulher
Ainda que no teu coração
Seja agonia
Sou Mulher
Ainda que no teu riso
Seja água
Porque mulher mágoa
Sempre serei
Já ao nascer chorei
E de lágrimas me fiz mulher
Do ventre brotaram filhos
Quais ventos sem asas
Dando-me o nome de mãe
Mas sou Mulher
Nome que ela apenas tem
Porque da vida
Conheço o choro
Penas
E a dor
Sou Mulher
Porque sou vida
E amor

PARTO DA ALMA

A alma anda à procura de parir Num parto doloroso e sensitivo A mão é o fórceps que faz sair Palavra de um pensar cognitivo Penas da alma para a mão Mágoas de dor e solidão As águas rebentadas São lágrimas procuradas De raiva e ilusão Em tantos momentos Húmidos de sentido A mão à procura Perdida na contracção De imensos pensamentos No desenlace prometido Da infame loucura De ver paridas palavras À sombra silenciada da escrita Em esperas de tantas memórias amargas Numa procura desesperada e aflita Que são só Liberdades poéticas Apenas pó Querendo ser poesia Poesia

SANGRAMENTO

Deixa-me contar-te que sangrei
Escorreram da alma
Os sentidos
Já sou mulher
Sangrei as lágrimas pela minha mão
Penas da alma e do coração
As dores As forças
As palavras
Os sonhos
Os desejos
Os encantos
Escondidos
Automutilei-me de emoções
A solidão
Os dissabores
A desilusão
Os momentos perdidos
Derramadas as mágoas
No pensamento
Por feridas abertas na poesia
E os cortes transparentes
Do sangramento
As mesmas ilusões
Que eu teria
Se ainda fosse
Sentimento

PENAS DA ALMA PARA A MÃO

PREFÁCIO.............................................................................. Escrever é um acto de procura.................. .............. Este conjunto de poemas aponta para o percurso existente entre a organização das imagens que povoam a mente do sujeito e a decisão da escrita. A maior parte dos versos são testemunho dessa turbulência psíquica e da vontade expressa pelo sujeito em transformar essas imagens em palavras poéticas; assim, os poemas são partos da alma dados à luz através da mão. O título “Penas da Alma para a Mão” aponta, portanto, o caminho percorrido até ao nascimento da palavra; são poemas tecidos de dores “penas”, mas também expressão das ideias, fantasia, solidão e do amor vividos no eixo da temporalidade, num nicho de procura e de luz. De acordo com a alma feminina, a poesia é dotada de uma sensibilidade misteriosa, que remete para a expressão/contemplação do corpo e portadora de um espírito inquieto – balançando entre o cepticismo e a verdade, a dor e a alegria – o que revela que “o acto de dar à luz” nem sempre tenha sido fácil, apesar do encantamento subsequente. É um livro cheio de metáforas, onde jorra a força feminina aliada à vida das palavras. O elemento líquido, sob a forma de mar e de rio, invade muitos poemas e penetra nas palavras, fornecendo-lhe a seiva do amor e transformando o acto de escrita em êxtase. A marca feminina que caracteriza esta obra, através de alguns títulos, versos e mesmo pelas várias referências ao corpo e à vida da mulher, impõe-se como a verdadeira imagem do livro; aliás o título é todo ele no feminino. No entanto, há um poema que é um louvor à poesia e ao poeta, sem a reivindicação de sexo, o que reforça o gosto e a sua aceitação do/ no feminino, embora o eu confidencie que, por vezes, há um desajustamento com o tu e com os outros. O encarceramento da palavra até à sua libertação, traduzindo metaforicamente o percurso psíquico e mental do sujeito, é a trave-mestra desta poesia e o guião que apoia o leitor a interpretar as penas que a pena escreveu através da mão. O fechamento e a concentração de todas as dores e perplexidades no eu tornam o sujeito mais vulnerável e a assumir a poesia como uma revelação das forças que recaem sobre si, dotando a poesia de grande intimismo e simultaneamente de mistério. Apercebem-se momentos de luta interior, de crença e descrença, uma espécie de batalha entre Deus e o Diabo visível em “Morada aberta “, uma vontade de expurgar o mal proveniente do inferno dos sentidos para recuperar a paz e restabelecer a lucidez das palavras. Há versos de tal melancolia que nos transportam para além da morte, uma espécie de saudade metafísica e uma necessidade de renascer, pois o sujeito identifica-se como uma “sombra". Versos que afirmam uma vontade de ser outro; de ser diferente “do que poderia ter sido”. Mas esta saudade está também expressa em lugares concretos ligados a um tempo que já foi – o da infância – e ao Porto. Esse tempo de menina que ficou para sempre gravado... Não se pode fechar este livro sem olhar as imagens que o ilustram e seleccionadas pela própria autora, pois elas resultam de um entrosamento perfeito entre a mensagem dos poemas e a imagem e que a leitura inter artística ajuda a compreender “tela da alma”. No fundo, o livro é essa vontade de pintar a vida que, parafraseando o sujeito, ficou a preto e branco. Os versos são esboços e a poesia ainda deixa escorrer algum sangue. Quem conhece a Ana Conceição Bernardo não consegue ler somente as palavras, ela está nas palavras, o que causa algum embaraço a quem procura distanciar-se. O pseudónimo Ana Bárbara de Santo António resulta da sua crença nos poderes dos santos, bem visível ao longo da obra. Santa Bárbara como protectora das tempestades e aflições e Santo António o mestre da palavra, o pregador, o homem do sermão aos peixes, aquele que falou para as águas de um rio. Agora, falta a leitura silenciosa destes versos para ajudar a compreender o que intencionalmente ficou por dizer; para descobrir o que lhe pertence e está ao alcance da sua mão. Curiosamente, tendo o ser humano duas mãos, é a mão no feminino e no singular que produz a palavra já contaminada pela vontade do sujeito; a mão que ajuda a Ser. E quantos poemas serão “uma forma inventada/de um sofrimento sem nome?” ................. .......................................................................................................... Júlia Serra......................................... (Professora do Ensino Secundário e Critica Literária)

PENAS DA ALMA PARA A MÃO II

Para ti Que um dia invadiste de amor a minha solidão E pintaste a minha alma de luz e de vida Roubando o desespero de insana razão Trazendo a claridade que andava perdida Jamais vou esquecer o meu pintor Escritor e poeta, JYS ...................... ........................................................................................................... A Poesia, para além de um acto ontológico e de um processo de autognose, é essencialmente, um acto de coragem e de descompressão do espírito. Escrever é, antes de mais, preencher as páginas vazias com o vazio da nossa alma, para a encher, deixar sair as penas da alma para a mão, através da escrita, é traduzir por palavras o que a voz muitas vezes silencia, são todos os pensamentos adormecidos nos confins secretos da mente iluminada pelo poder criador das palavras, à luz reveladora de uma espiritualidade emotiva, ruminada no mais profundo segredo da solidão. Ora, quem se dedica a esta difícil e sedutora tarefa de amanhar as tais palavras humedecidas, escorrendo sentidas da alma para a mão, é alguém que se distancia dos outros, pelo pensamento, mas conserva uma inabalável vontade de comunicar, dando-se pela escrita através da palavra. Este livro “PENAS DA ALMA PARA A MÃO”, é o exemplo do mistério da Poesia e da vontade de revelação desse ocultismo pela desmistificação das palavras…nem sempre transparentes pela sombra que as envolve, tal a sombra que as “enformou”. Apostando na essência e na transcendência, as penas da alma acabam por se comprometer num concluiu tal que servindo-se da mão, vão adensar o misticismo da obra, em vez de desdramatizar o significado da existência. A mão à procura, para além de um acto desesperado de encontrar alguém, transforma-se em revolta, desventura e cepticismo, para depois de escrever tudo o que lhe vai na alma, dar lugar à esperança e ao renascer, que só as palavras saídas do pensamento transcendente são capazes de renovar o desespero e o vazio gerado pela solidão, pela ausência de transparência dos sentidos, deixando contudo, surgir camuflada nas entrelinhas, uma força a indicar caminho e a mostrar que mais do que “sombra”, a alma é luz portadora de mensagens que só o poeta é capaz de ver e interpretar, dando-nos a conhecer essa via iniciática e sublime, em pedaços de memórias que cada poeta ao alinhavar as suas palavras, tenta recolher e reconstituir o seu Eu, usurpado da sua verdadeira identidade na sua forma mais simples e curta, acabando por ser um pronome com uma enorme responsabilidade nos nomes, dos outros e de si mesmo. Portador de uma herança temporal e cognitiva, cada ser inscreve-se no Tempo Alma, desafiando-o nas várias direcções que as imagens vão pressionando e impelindo para a escrita e assim sendo, a palavra transforma-se numa arma de combate e num filtro de depuração de todas as penas sentenciadas pelo espírito no silêncio dos pensamentos. As impressões da alma resultam dessa vontade e de um querer que as lucubrações do espírito permitiram gravar…e o resto é produto da poesia. Trata-se de uma espécie de enigma que se vai desfazendo pelo punho da mão e a alma acaba por suportar essa psicografia como auto-defesa da dor que as penas infligem no todo, pelos sentimentos silenciados por mágoas pessoais e intransmissíveis, dessa alma que não se quer calar, de todo esse inferno de sentidos, que quer parecer levar à morte. Pela Poesia se ensina a viver e a procurar outras formas de vida…se não passássemos da busca das palavras, libertando as penas da alma pela mão, dando colo à escrita nestas páginas poéticas, certamente ficaríamos encarcerados num labirinto KafKiano, à espera…da morte. Mas a vida é o melhor dom de Deus! “Penas Da Alma Para A Mão”…a interface do mistério da revelação. Ana Bárbara de Santo António

quinta-feira, 2 de julho de 2009

CORPOS (COM)SENTIDOS A (A)MAR - X

Pela mão endeusada
venho-me de palavras através do silêncio ateu
desvirginada numa missão glorificada
em enredo lento de sentidos
desprendidos da mão de Orpheu
me prendo em leve pranto
em toda eu
gemidos sussurros lamentos
doces fluido encanto
há uma lua que não se cansa
de irradiar sentidos em mim
faz-me ser égua solta em nua cavalgada
como se meu cavaleiro fosses
louco intenso frenesim
e nas fases dessa lua imaginada
tenho-te assim
de palavras submergidas de espanto
tidas loucuras preliminares da tentação
sem consentires nem imaginares
corro pradarias estendo pelo chão
meu dossel manto
banho lagos galerias de ternura inquietação
deixo-me em rios de mel loucura
nos cascos devolvo a terra em pegadas de excitação
enquanto espalho ternura
no pranto de toda esta escrita
movida de sentidos em brisa
deixo reflectida cansaço esfiado pelo luar
que tamisa prados de olhares onde me sinto sentida
serei se assim deixares
onde vires
luar gota orvalho sombra palavra sensação vida
que desliza quando de mim sentires
pálida apreensiva ilusão
em leve coalho da mente puderes ler
o que uma alma sente
de amor de vida
e de paixão
sentida

CORPOS (COM)SENTIDOS A (A)MAR - IX

Corpo de mal amada
Fim de tarde esfriado em melancólica poesia
Sereno sol outonal respira ofegante doce crepuscular
Deixa-se esmorecer ao fim do dia
Espectacular
Rasgam-se nuvens em choro lento
E toda a terra molhada
Parece morrer alento
Na chuva
Talhada
Vento
Corpos em vestes ao corpo coladas
Seios nus de encanto
As formas iluminadas
Em suave pranto
Chuva doce
Como se névoa fosse
Cai nos corpos manto
Deixa consentir
Das formas tanto
Sentir

CORPOS (COM)SENTIDOS A (A)MAR - VIII

Aceita-me corpo com sentido de amar
Estendida em teu imenso areal
De uma vida antiga
Aceita-me ser baluarte
Pedra poema
A tua arte
Sinfonia de mil cores tema
Desse teu amor de uma palavra
À pena rendida
Teu dilema
Eu
Tua serva
Aceita-me ser
Tua vida
Deixa-me ter
O mar
E a terra
O céu
E neste chão descolorido
Nasçam auroras de palavras intensas de luz
Floresçam poemas com sentido
Ao ler tanto de ti
Que aqui seduz
Como se fora beleza de flor
Ao sentir o que senti
De poesia
E cor

CORPOS (COM)SENTIDOS A (A)MAR - VII

Corpos bramindo desespero mar
Tempestade se acerca sentida
Alma consente naufragar
Entre a morte e a vida
O olhar à proa do tempo
Solta amarras no vento
Vai de partida
Em asas pairando eu
Entre o teu corpo e o meu
Sei que sou brisa sem ar
Como se a tarde nossas mãos juntasse
Frente ao mar quieto
Como se sol brilhasse
Nesse olhar desperto
E um raio fizesse acontecer
Céu consentido mar
Das cinzas renascer
E num poema ficar
Sentido
Corpo
Viver

CORPOS (COM)SENTIDOS A (A)MAR - VI

Recusa fugaz de marés sentidas
Em pensamento fechadas a lacre
Tanto te tenho em vagas soltas
Pedaço de luz álacre
Vislumbrado luar
Ondeando revoltas
Estrelas no céu a brilhar
E em corpo quieto e desigual
Procuro-te a alma nas fases da lua
Sei-te crescente cheio irreal
Novo minguante em serena falua
Rasgando as águas sideral
Num amanhecer de luz madrugada
Imatura quase imortal
Rompe nubente aurora clareada
De uma noite terna nua
De sentidos despidos
Entre o aqui e o além
Fica o corpo a dor e o mar
Horizonte aquém portal
De abraços fundidos
De amor nunca igual
Prestes a naufragar
Consentidos