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quinta-feira, 9 de abril de 2009

AS MINHAS MÃOS

As minhas mãos que do meu corpo tu só tens
Cordas de guitarras em frenéticos suspiros
Olhos marejados de tristeza quando não vens
Tálamos perdidos de cegueira e de delírios
Tão raras te tocam como um quasar distante
Poeira de amor num firmamento que procuras
Deitado ao meu lado adormeces meu amante
Esquecido desse acto que me negas de ternuras
São dez estrelas que brilham numa constelação
Astros perdidos que do corpo se desprendem
De mãos postas erguidas em fervorosa oração
Só Deus as reconhece e as ninfas as entendem
É delas leves mãos delgadas que eu preciso
Carnudas salientes vivas de sangue quente
Dessas veias cheias do meu sentir conciso
Tão belas geladas ao teu toque indiferente
Pelo punho forte dessas mãos se descerrou
O busto inocente das palavras desfolhadas
Sobre a laje branca o infinito se poetizou
Ao libertar da alma prosas encarceradas
São as minhas mãos sentidas querendo nascer
Num parto de dor florida de águas rebentadas
Enquanto a minha vida de palavras finge viver
Na alma folhas em branco rosas desabrochadas
Aqui todo o meu pranto em pétalas poetizadas

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