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sábado, 25 de abril de 2009

ÂMAGO DA TERRA

Sou filha da terra
Uma dama Torriense
A torre era de D. Chama
O título em nada me pertence
Nasci de olhos para a pequenina serra
Na casa amarela frente ao Monte de S. Braz
Desde menina que só conheço o amor pela natureza
O sol e a água
O chão e o verde
Em toda a sua beleza
De minha mãe
Sei do que verdadeiramente sou capaz
Aprendi que poucas coisas são necessárias
A terra o rio a luz
E o vento de passagem para dar corpo
A toda uma aragem que me seduz
A todo o sossego e paz que mora em mim
De meu pai
O mais importante
Aprendi o respeito pelo chão agreste
Pelo canto duro das cigarras
Num Verão tranquilo e distante
Uma preferência pela língua falada
Quase reduzida às palavras
Vestidas de um cerimonial terrestre
Da minha infância
A lembrança onde mergulho
Trouxe o desprezo pelo luxo
A banalidade da inveja
A melodia do orgulho
Que é sempre uma degradação
A pureza que é a essência
Da dúvida e da certeza
Na minha vida
Tão incompleta e indefinida
Que é simplesmente uma paixão
Um amor pelas coisas da natureza
Na sua forma mais ardente
E ainda não adormecida
De sonho e de aço
E em toda uma solidão
Bravia e impaciente
De laços que ato e desfaço
Sou eu que transpareço
Do espelho que me revela
Por tudo o que eu não esqueço
Sou toda eu
Minha mãe meu pai e a infância
Que foi tão bela

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