Cartão de Visita do Facebook

sábado, 25 de abril de 2009

ÂMAGO DA TERRA

Sou filha da terra
Uma dama Torriense
A torre era de D. Chama
O título em nada me pertence
Nasci de olhos para a pequenina serra
Na casa amarela frente ao Monte de S. Braz
Desde menina que só conheço o amor pela natureza
O sol e a água
O chão e o verde
Em toda a sua beleza
De minha mãe
Sei do que verdadeiramente sou capaz
Aprendi que poucas coisas são necessárias
A terra o rio a luz
E o vento de passagem para dar corpo
A toda uma aragem que me seduz
A todo o sossego e paz que mora em mim
De meu pai
O mais importante
Aprendi o respeito pelo chão agreste
Pelo canto duro das cigarras
Num Verão tranquilo e distante
Uma preferência pela língua falada
Quase reduzida às palavras
Vestidas de um cerimonial terrestre
Da minha infância
A lembrança onde mergulho
Trouxe o desprezo pelo luxo
A banalidade da inveja
A melodia do orgulho
Que é sempre uma degradação
A pureza que é a essência
Da dúvida e da certeza
Na minha vida
Tão incompleta e indefinida
Que é simplesmente uma paixão
Um amor pelas coisas da natureza
Na sua forma mais ardente
E ainda não adormecida
De sonho e de aço
E em toda uma solidão
Bravia e impaciente
De laços que ato e desfaço
Sou eu que transpareço
Do espelho que me revela
Por tudo o que eu não esqueço
Sou toda eu
Minha mãe meu pai e a infância
Que foi tão bela

QUERER

correm rios de mim
lava do vulcão em actividade
onde se afundam lagos do teu ser
pelo toque
fazes brotar fonte intensidade
e morro no tacto das tuas mãos
por puro prazer
num gesto afectivo
de inusitada cumplicidade
terra esventrada em fendas
corre de um rio sem fim
onde te afundas
de luxuria apetecida
por dentro escavas seio
dentro de mim
penetras meu cio
veio como se fosse vento
abro-te minhas portas
de par em par
entranhas de uma vontade
enlouquecida
para ter de ti
esse único momento
num vaivem de loucura
a nunca terminar
tu que despertas fogo
dentro do meu ser ja aceso
armas fogueira
de meus sentidos em brasa
como queres que eu saia
de tão gesto ileso
quando por dentro
rio me invade e vaza
deleite que atentas
de teu mastro erguido e teso
desnuda o ser
em voltas de sedução
ousas prender-te pelo olhar
de rédea solta levantas as velas
em mar de excitação
prazer que nos traz sempre de volta
nesta dualidade de inquietação
és vibração escolta
a naufragar

LIBERDADE EM PALAVRAS

Dá-me a liberdade
de acordar sonhando contigo
em plena vontade de te ter
de ser no teu peito crepúsculo abrigo
à lareira de um sol pôr
a derreter
mil vontades de sedução
gosto sabor
acordei e senti
eterno castigo
teu cheiro tua pele sensação
que abri
liberdade em palavras
vontade de ti
vibração
Maio que floresceste em Abril
que por vezes me fala muito do mar
de águas mil
do alto mar
das cores do luar
reflectidas sobre o leito de prata
agora em luz de sol carmim
das cores da água
luzidia farta
azul proa do teu barco
quero ser
mar sem fim
deste lado me aparto
em crepúsculo sentir
navegar
ousar definir
teu mastro elevado
e a estibordo
vejo imaginado
sol fordo
que se deita no meu olhar
espraiado em chão de convés
a bombordo
e juntos olhamos
infinitas marés
num marear
feito aqui
de palavras
ainda que saia fluido imenso
como gume de navio
rasgando águas... mar denso
é sempre verter
mágoas de um parto
deixar acontecer
essas palavras tidas
em que vou e parto
depois de tréguas do corpo intenso
e dos sentidos a florescer
imaginar-te....
vertidas
correm elas
rios por entre o leito
meigas caravelas
invadem margens
escancaradas
e onde me deito
saber que te fazes
de viagens
vontade no meu peito
e abres em mim
portas fechadas
saber que me dominas
de sentidos
e querer ser em ti orvalho
ter nas mãos tantos livros lidos
feitos de madeira de carvalho
roubadas florestas desvirginadas
que se assumem frondosas
em meu pensar
ventosas
folhas se escrevem rasgadas
como corpos acesos a amar
correndo pradarias contigo
perdidos em longos espasmos
sentindo-te por dentro rio
invadindo-me de desassossego
guardarei de ti orgasmos
de palavras sentidas
sem receio sem medo
entregue em nossas mãos
em ínfimo segredo
carícias prometidas
sem pudor
pulsar de tão sentidos actos
plenos de amor
vir-me de desejo nelas
cheias e vivas
de imagens tão belas
aqui sentidas
quando por fim te entregares
em meigos leitosos jactos
num desejo de águia sequiosa
planar tua pele em voo rasante
minha boca em tua boca tão desejosa
querer-me em teu leito
sempre eterna amante
feliz deste feito
num mar
distante

quinta-feira, 23 de abril de 2009

SURPREENDE-ME

Surpreende-me... de mensagens de itens de sorrisos de lágrimas... na poética aragem ventania que chega de qualquer lugar... viagem de espaços replectos concisos na noite e no dia onde todos os meus sonhos andam a vaguear.. Surpreende-me... com a capacidade das palavras num ramalhete de afectos ainda por desabrochar... dá-me os teus sonhos mais secretos que um dia eu irei contar... Surpreende-me... com teus olhos orvalhados numa simplicidade de estações... com os teus jeitos e os teus pecados... a suplicar orações... Surpreende-me... sempre que tu queiras... de todas as maneiras dar-te e eu abusar de todo teu ser poético... ganhar dentro do teu peito um ninho... aí ficar nesse leito entre meiguices e carinho... Surpreende-me... sem nunca seres igual... pelo bem e pelo mal... deixa-te em meus abraços... dá-te a mim ata-te de laços até ao fim deste nosso encontro virtual... e nesse espaço sideral deixa-te ficar... Surpreende-me... de gestos de palavras de emoções a gerarem contradições de desassossego... ilusões e medo... no meu olhar perto de ti... onde eu quero estar... Surpreende-me... inteira e repartida... de uma só maneira ou conseguida...sou musa e mulher... flor uma rosa... em poemas ou em prosa... apenas de ti sentida... Surpreende-me... em tudo aquilo que sou e sinto... de tudo o que nunca minto... faz-me do teu querer mulher... neste livro aberto em que escrevo e conto... toda aqui me desmonto... carcaça pensamento sentimento... segredo que eu assim quiser e vagueia em múrmurios de eterno vento... Surpreeende-me... nada digas do que aqui te choro....nada mostres em teu olhar... e se aqui tanto me demoro... como se a querer ter-te fosse um simples beijar... venho somente dar-me em palavras... Surpreende-me... atira-me com todas as tuas mágoas... delas eu contarei um dia... em terna melancolia entre o espairecer da vida e a solidão de morrer... unicamente sentida... Aqui estou... surpreendida... movimento fecho os olhos e já sou mulher... poetisa reprimida num alento entender-me acaba sempre o que se disser... seja amigo ou amiga... de sonho ou de vida... vem aqui surpreender-me.. ... musa

INSANOS PRAZERES

senti tuas mãos
como frio vidro
de um espelho usado
reflectida nelas
gesto primitivo
ousado
levei-as a percorrer
meus sentidos
abertas janelas
o vento entrou
deixei-as tocar
desejo esvoaçou
em mim provocado
deixei-as deslizar
gostos acendidos
olhares cruzados
nossos gemidos
até nos cansar
gozados
mundanos
nossos seres
de insanos
prazeres
amar

FLORESTA DE SONHOS

VALADO DE POEMAS

Em ti papel roubado
enterro meus poemas
em mar alterado
toda eu de vagas soltas
em leito azulado
cada onda é uma palavra
fruição de sentidos
em corpo cansado
em ondas revoltas
pensamentos perdidos
num valado de poemas
em ti descarno meu ser
faço-me de gozo permitido
regozijo letras de prazer
tinta que escorre
vaga gemido
e num poema ser
imenso mar
aqui enterrado
em lento vibrar
docemente morre
poetizado

AINDA QUE ANDES POR AÍ

… Ainda que andes por aí

Amo-te onde ninguém te vê

Onde a vibração dos corpos a amar
É eternamente intensa
Com sentido de alterar
Breve imensa
Conseguida
Rumo das nossas vidas
Sem querer que fiques preso
À nossa vida
Semeio em ti meu silêncio vento
Promessas permitidas
Devo-te corpo inteiro
Olhar e pensamento
… Ainda que andes por aí
Serás sempre o primeiro

Tenho-te onde o tempo parou

Prolongo-me em ti
Ser que tanto me amou
Não quero que desapareças
O teu olhar queima-me a pele
Colisão de desejos
Nunca me esqueças
Ama-me sem medos
De muitos beijos
… Ainda que andes por aí
Ousando tantos segredos
Me tenhas no mapa dos teus dedos
Em leito de longa espera
Os dois prometidos sem compromisso
Efémera quimera
Fecho os olhos onde me procuras
E já o meu ser em ti submisso
Muito depois
Me entrego de corpo e sentidos
Gesto esquisso
De muitas loucuras
Feitas pelos dois

quinta-feira, 16 de abril de 2009

ILHA DE PENAS

Pequena pérola do azul oceano Sou eu por detrás dessa ilha Onde gaivotas deixam cair suas penas Às ordens desse mar decano Sob o olhar que brilha Combate de sentidos e sentimentos Rompendo as asas Da vida São as minhas penas que se banham No mar das tuas lágrimas Caindo na água às dezenas As dores e os momentos De cada ano Que tu vazas Sentida Sentir exótico e selvagem A alma rara orquídea godiera Tão rara como uma miragem Brumal que rasgo de luz obsidia Trepando no escuro como uma hera Por entre os ramos de malvasia No meio do louredo Bosque fantasia Quimera Onde eu guardo o meu segredo De tanto amar a poesia Fiz das penas Meu degredo Essa ilha

SEMIRAMIS

Procura de beleza

Nos jardins suspensos da Babilónia

Por ti plantados nas margens do rio

Quando a nostalgia procurava

As colinas e os bosques

De uma Pérsia encantada

Bela e amante da natureza

Erva doce do grande Nabucodonosor

Perturbado pelo sorriso sombrio

Da esposa triste e distante

Que ele tanto amava

Procura do paraíso

Celestial e flutuante

Nos gestos de uma musa

Ainda não encontrada

Procura de Semíramis

Nos restos de um amor

De uma rainha apaixonada

Pelo mistério de uma flor

SELENE

Procurei entre as sete maravilhas do mundo

A oitava que num sonho era o dia
A seda de cores brilhantes
Que a deusa Selene com suas mãos tecia
E como uma pérola perdida
Nas águas cintilantes
Essa solitária ilha
Do profundo mar sereno
Assim vivi esquecida das Harpias
Pairando no ar ameno
Guardadas dos deuses pelo arco-iris
De sentinela à minha vida
Procurei na noite Selene
E encontrei-a escondida
Fiando seus raios de luz ténue
Ofuscante
Entre as estrelas
Procurei entre as mais belas
A maravilha gigante
Que ocupa todo o lado
Procurei
O que nunca foi achado
Mas não encontrei
O procurado

ENTRE O SONO E O SONHO

O sono e o sonho de luz
Que de penumbra meus olhos seduz
Como me assusta esta forma inventada de assim tudo dizer
Sou sono e sonho poesia flor de mágoa que nunca vivi
Sou tão o que sinto o que me fica cá por dentro a endoidecer
Caminho para uma luz que me chama o que no verso já senti
Este belo dizer disperso dor fluente que me faz transparecer
Entre o sono e o sonho de luz em cama de palavras metamorfoseadas
Vagueia louca entontecida fluindo se solta de mágoas poesia com asas
E se eu fosse anjo que me aconteceria de estar aqui este dia
Já fiz promessa de vida devaneios ser apenas penas e assim me construir
Do sono adormecido venho vindo de mãos dadas com a claridade alegria
Sonhei que era um anjo da lua uma estrela pendurada e que nada mais temia
Mas vi com nitidez bem crua crueldade esses tristes sonhos no meu sono ruir
Caminho da fonte alma pingando gotas de luz onde bebi com satisfação
São húmidas migalhas do sono que dentro de mim ficaram pelo chão
Se eu soubera que a fonte luminosa já secara por que teria ido beber
Mas sou anima muralhas insatisfeita desejosa que da morte quer viver
Dou-me corpo poético de formas feitas por inventar
Eu que sou tão de palavras e assim me assumo
Às vezes ainda que tudo eu queira ultrapassar
Dou comigo doida perdida da vida já sem rumo

VIM SER

Vim ser...
na escarpa desse teu silêncio
sentir florescer
despenhei-me em gritos
abandonei cheiro e tacto
roçando tua pele
usando teu olfacto
misturei-me de ritos
de puro prazer
Vim ser...
de insanos beijos
de olhares lampejos
sensual provocação
ousar paixão
de palavras desejos
fundir coração
ter-te ilusão
segredo
Vim ser...
no teu olhar
o medo
nos lábios
sedução
caricia loucura
luminosidade em flor
Vim ser...
aberta a tua mão
ternura
gélido calor
vaidade
enternecer
por ti
felicidade
procura
aqui