Cartão de Visita do Facebook

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

MORRER POR UM LIVRO...

«Aqueles que queimam livros,
Acabarão por queimar homens»
Heinrich Heine
Quantos corpos calcinados testemunharam ao longo dos séculos o sacrificio de morrer por um livro... ficar em cinzas no cemitério dos livros esquecidos...
Suicidio inusitado daqueles que deitavam livros para a fogueira... a historia está cheia de textos malditos, interditos, proibidos, em que os autores sofreram a prisão, o exilio, a morte... por causa de impor a sua razão, de rimas mais ousadas, palavras anonimas brutais, censuradas, ainda que os seus livros tenham ficado na memória, resistido ao tempo, na secreta intemporalidade que só a palavra escrita consegue vencer, chegam-nos cheios de um medo insano, replectos de tabus, de uma áurea estranha, estes textos interditos são o testemunho sincero do maquiavélico sentido de poder do homem sobre o homem.
Da antiguidade aos nossos dias, milhares e milhares de livros foram destruídos, milhares de obras foram censuradas, alguns mesmo foram dizimados para sempre, alguns desapareceram sem deixar rasto, enquanto que outros continuaram a circular na veleidade dos meandros clandestinos do livro interdito.
Eram as obras malditas, culto de leitura na trangressividade da razão, em que a memória planava entre culturas completamente opostas de credos e de sentires. Queimaram os livros... queimaram consciencias humanas... deitaram para a fogueira os textos eróticos, as obras de outras religiões, os ensaios filosoficos, velhos livros de magia, os livros miticos, aqueles textos considerados hereges dominados pela Santa Inquisição, ao sabor do tribunais eclesiasticos, vitimas do totalitarismo e da hipocrisia social.
Que resta dos tempos nascentes da memória sábia desses homens? Sentidos? Segredos? Submissões? Porquê afinal morreram eles e ficaram os livros?
Censurados porque o sexo era tabu, as expressividades das emoções humanas eram proibidas, os sentires das mulheres eram pecado, bramiam na razão loucuras suficientes para que as fogueiras fossem leitos de purificação e de regeneração do pensar da época, queriam-se susceptiveis de ganhar o céu em paz, e deixar para trás tantos desses pensamentos impuros.
Os votos piedosos das escritas censuradas brilhavam labaredas transformados em cinzas que o vento levava no seu voar... espalhando dores daqueles que sofriam por ver tanta injustiça da razão amordaçada, por ver a sua criatividade morrer no sentido nefasto da intranquilidade soberana que ditava que era preciso interditar a escrita dos que apresentavam comportamentos desviantes da norma.
Malditos, miseráveis desse esplendor de cinzas censuradas, foram aqueles que tal comenda horrorosa premeditaram, e não aqueles que das entranhas da alma deixaram escorrer tinta de penas incomensuravel, sua razão discretamente transcrita de palavras, verdades plenas de sabedoria, ousada perecerer por esse monstro horrivel da interdição, politicas, religiosas, morais, de tudo se poder escrever, colocando entrave à liberdade de expressão e de pensar.
Dos meus escritos... censuro eu...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

PONTES SOBRE O SENA

"Os humanos trazem filhos ao mundo... os insanos trazem livros escritos sob luz de ferro morrendo algo da razão até que se acabe toda a vida..." .............................................................................. Nas tuas margens sobressaltadas negros cais ...................................................... onde por passos me surpreendo ..................................... de belos arcos ogivais ........................................ que de lágrimas vou escrevendo ................................................. trabalhados em pedra d'ança ........................................................................................... e as carrancas agoniadas ousam lançar olhos esguios ........................................................ fecha-se a noite como uma lança ........................................................ de mil formas mil feitios ........................................... sobre a água gelada e fria .......................................... na noite querendo ser dia ................................................. caem punhais golpes afiados ................................................. em fios dóceis emaranhados ................................................ amordaçando a bela manhã ................. inusitada ........................................................................................................... eis que a volúpia liquida corre como negros corvos iluminados ......................... filhos do nada ................................................................................... vestidos de madrugadas incendiárias esvoaçando ............................................................................................................. as pontes se espelham na sombra de negros traços rendilhados ................. o rio Sena ......................... assim chorando

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

RUNAS

Lançei as runas sobre a alma

Deixei cair as lágrimas em cascata

Labareda líquida de luz

...............................................................................

Toda eu

Lago de saudade sentida

Que em mim trago

E que seduz

Corpo e alma e vida

Trazes-me assim ferida

Em rio que corre despedaçado

Abruptamente tomba no lago

Escurecido

A surpreender-me

Deitei as runas com o choro

Sobre o corpo enfeitiçado

Já tão perdido

Como demoro a desprender-me

Como demoro em ti

Como demoro a libertar-me

Do que senti

COLINA DO SER

Esta madrugada ajudei a romper a luz do alto da colina O céu azul do meu olhar abriu-se pela mão imaginada O corpo assim desperto a alma assim tocada Rasguei de rosa azul deserto a luz que era só minha Tinhas que ver a madrugada toda ela fumegando a noite gelada Lembrei-me do teu olhar querendo tocar o vento A brisa do mar rebentar-te em vagas o pensamento E eu ali No alto da colina soltava-me de mim Deixava-me impregnar de azul rosa intensamente Senti Como se a aragem do mar me envolvesse docemente Numa aventura do olhar e do ser Sem fim Deixava Acontecer Tristemente

domingo, 11 de janeiro de 2009

ÂNGELUS

Sonhei-o
Silhueta alada rompendo do inconsciente
Era eu
Corpo esguio negro esbelto
Asas levantadas braços abertos
Ferindo-me o olhar sorridente
Entre um coro de cupidos com liras doiradas
Num leito de rosas brancas ao luar
Parecendo um bosque de anjos misteriosos secretos
Num bailado de figuras aladas
Como se a memória acontecida fizesse ovação silenciosa em pleno altar
Onde círios negros difundiam aroma de cera
Exalado do interior de capelas revisitadas
Num velórios de sentidos
A dormitar
Perturbante
Aquele sonho onde os poros queimam de sedução
Descia pano de bruma mórbida perpétua penetrante
E eu consciência rastejava sobre as pedras frias
Vagueando insana distante
Sobre negro chão
Mascarava num parto prematuro a ténue claridade
Círculo de memórias ensanguentadas
Flutuando no ar húmido possuída e fumegante
Por cima das pedras mordidas ao vento choro do céu
Miasmas e trevas sinistras já sem idade
Eu vi-o
Ângelus de asas escancaradas
Cobrindo-me em seu aconchego descia sobre a razão sem véu
E toda eu me prendia em aranhas de tinta charcos de escuridão
E ele alí à minha frente
Delicadeza de pedra burilada
Demente
Os braços estendidos ocupados pelo livro aberto
E porquê não eu
Alma exaurida do pensamento num cerimonial silêncio gotejava
No sono desperto
De luar lambia os contornos da angelical silhueta presa no breu
Anjo que não voa
Anunciava
Das trevas líquidas minhas lágrimas mortais
Ao lado a cera tombava em pérolas escaldantes
Queimava
Qual figura de proa
E eu acordava
Nunca mais
Como antes

sábado, 10 de janeiro de 2009

TRAVESSIA... Paris 10 janeiro 2009

Atravesso véu por véu o olhar na penúmbra raiada de luz pingando ............................................................... Vento distante que eu sonho a acariciar ondas ............................................. Faz-me falta o mar ................. Uma a uma ......... Brisa maresia em chuva de húmidas gotículas a brilhar .................................................... A maré entreaberta num entardecer ................................

Entre o céu e o mar

.................. Tu e eu .......

Acontecer .........

Lançei-me em bruma sobre o teu corpo a pedir-me ............................................... Disforme amontoado de sentidos andas tu a imaginar .................................................. Os olhos defronte como esteios prometidos de um frágil umbral ............................................................. Numa dança de sombras bruxuleantes ................................. Traziam o vento ao litoral ......................... Humedecendo semblantes ................................. Não sei quando voltará a chover .............................. Poderão minhas lágrimas inundar de desejo todo esse areal .............................................

Corpo naufrago que um dia aí irá aparecer ........................................

Dando-me toda em sal ................... O mesmo corpo que te fala todo a tremer .......................................... E faz a travessia da alma ........................ Entre o céu e o mar .................. Para ser

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

ENTRE O SONO E O SONHO - Fernando Pessoa

http://www.youtube.com/watch?v=tO1NmIFCWrQ "Entre o sono e o sonho.../... Entre mim e o que em mim me suponho,.../.... Corre um rio sem fim.../... Passou por outras margens,.../... Diversas mais além,.../... Naquelas várias viagens.../... Que todo o rio tem.../... Chegou onde hoje habito.../... A casa que hoje sou.../... Passa, se eu me medito;.../... Se desperto, passou.../... E quem me sinto e morre.../... No que me liga a mim.../... Dorme onde o rio corre.../... Esse rio sem fim" Fernando Pessoa

"ENTRE O SONO E O SONHO" - Antologia de Poetas Contemporâneos... I volume

Lançamento dia 31 de janeiro Lisboa

Café Bar Onda Jazz (Alfama)

http://www.portallisboa.net/

http://oamornostemposdablogosfera.blogs.sapo.pt/

BOTÃO DE ROSA

Vieste resgatar numa busca imperiosa
Transformando a alma em lã
O corpo em rosa
Flor da manhã
Abrindo
Deleite do corpo no rasgo das tuas mãos sentindo
Lavrado pelo gume da tua língua ardente
Brotando nascente
Prazer
Luxuria em todo o corpo fizeste renascer
Os seios pedindo a tua comoção
Lábios se abrindo como botão de rosa
Orvalhado
E o meu olhar seduzido assim procurado
Lago de azul fogo a queimar sem dor
Possuida amante em tálamo sagrado
No teu secreto ninho sentindo amor
Em poesia e prosa
Aprisionado
Botão de rosa
Desflorado
Flor

SONHO ADORMECIDO

Acordo pela manhã ainda madrugada por abrir
Querendo intrometer-me no teu sonho esquecido
Ainda que não sonhes
Quero estar no teu dormir
Ainda que no sono
Quero que sonhes adormecido
Até me sentir
Acordo cheia de uma ausência tão absoluta
Como se te tivera de tantas outras vidas
E agora vazia e devoluta
Me entrego inteira a todas as vontades sentidas
De qualquer maneira querendo ser
Sono e sonho
Em ti
Transparecer
Falo-te de sentidos despertos como a escuridão rasgada
De espaços abertos de outros fechados
Pelo tudo e o nada
Desencontrados
Falo do que vivo entre o que sinto acordar
Parte de mim que adormeçe
Quando a noite chegar
E o dia acontece
Amar
Sensação de abandono que toma conta de mim
Entregue de corpo e alma à tua voz
E o que renasce ferindo
Entre nós
Até ao fim
Sentindo
Assim

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

TRAÇOS DE TI

Ainda hoje te procurava

porque no céu brilhava

timido girassol crepuscular

que semeava as ruas de âmbar silêncioso

e nessas cores o teu perfil sereno lavrava

em minha imaginação

campo do ser

buril de beleza

numa infinita cumplicidade

sem precisar de palavras

como se fora dito entre a natureza

até que a morte nos separe depois do viver

nós que nos fizemos de poemas inteiros

com a alma do que escrevemos

do que lemos

do que sonhamos

em pedaços de papel e tinta

e tu de imagens de poesia

acreditaste conter

a minha alma de escrita

refúgio de silenciosa ousadia

em teu olhar sudário

fímbria de luz escarlate

ondeando de vento e maresia

nosso imaginário

CONTIGO APRENDI

Contigo aprendi

Flor

Girassol

Olhar o sol no céu em todas as direcções

Amar

Sentir

Viver

Cada pétala ventriculo de muitos corações

Meu sol céu flor azul e amarelo cheio de vida

Rosário de sonho e orações

Contigo aprendi sentida

Recoverta de esperança vou viver girassol

Virar-me de todas as maneiras procurando a luz

O sol

Calor

Ternura

Amor

Tanto me seduz

Ser girassol

No teu olhar

Ficar

Amar

GLACIAR

Um fio do teu olhar desprende-se do que pende de mim de dentro da tua alma .../... Glaciar humus de gelo à deriva em pensamento .../... Num oceano azul de brilho e calma .../... Em águas profundas de sentir frio e medo .../... Tão salgadas e azuis como fóvea de olhares gelados .../... De mistério e de segredo .../... Cristais de penas plumas de luz em mil formas retalhados .../... Pelo sol glaciar desse deserto imenso de brancura .../... Pedaços de gelo desprendidos a vaguear proibidos .../... Assim perdido mar longinquo de termo e de loucura .../... Em mim insanidade que alimento e que assumo .../... De palavras glaciares nesta prosa de sentidos .../... Onde vou só sem rumo ...

ENTARDECER ACONTECIDO

Estás no meu silêncio acontecido... Teu corpo feito uma cidade por descobrir... Onde me perco por um beijo nunca tido... Nesse teu olhar que nunca pude sentir... Amanhece vida citadina num entardecer... Quando já sentimos que nos vamos encontrar... E que de crepusculos e de manhãs queremos viver... De madrugadas e noites inteiras só para amar... Entardecer acontecido foi esse que me prendeu aqui... Jamais imaginado num desejo tão de ter... Beleza de uma cidade morrendo tarde que senti... Como se de sol loucura em ti fosse perder... Tudo que sou e sinto ainda escuridão... Rasgos de sentidos fenda volupia de prazer... Cidade desperta em mim teu ser de sedução... Deixa-me da noite manhã viver... Não sei se ela existe ou será sempre mistério secreto... Essa tarde invasão acontecida num corpo de sentidos... Milimetros de pele de veias de orgãos de amor repleto... De ruas de praças de becos perdidos... A cidade e o corpo vida ardente... Num olhar desperto... Consente... Por certo... Demente... Aqui tão perto... De mim...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

MANTO DE SILÊNCIO

Manto de silêncio com vida a renascer
E no sossego desse manto eu me derreto
Toda eu sou a transparecer
De duro aço e de concreto
O que fomos nós dois aqui
No calor que renasce e de quem consente
Tal destino incerto
E tem no manso contemplar
Descanso eterno sempre presente
Tudo o que senti
E pude olhar
Discreto
Viver para o poder recordar
Que o manto não cobre todo o querer ser
Mas o insensato desejo de envolver
Ninguém aqui o vai descobrir
Ninguém aqui o vai desvendar
Ninguém aqui o vai encobrir
Porque de nós dois é feito de palavras silenciosas
De sonho corpo em jeito de florir
Manto de silêncio que nos envolve
De promessas misteriosas
Pétalas de rosas em peito de segredos por sentir
Palavras que o tempo nos devolve
Nesse manto as entregas como flores
Paisagens de um mar que de amor nos faz sorrir
Num pranto de lágrimas já sem dores
Rumor de mágoas e de pensamento
As mesmas lágrimas que tu rires
Em choro dor e sentimento
Silêncio que de lágrimas tu sentires
Regresso de estranhos sentidos amores
Olharovento...
Paris...

NEVE FRIA... Paris 05/01/09

Neve fria espalha-se branca sobre a natureza sentida mansa em seu abrigo invernoso

Estende-se imaculada colcha de lã como uma manta sobre chão de vida humido poroso

Neve fria tão bela vê-la cair desprendida como nuvens esfiapadas

Clareando toda a natureza inteira de vida em suas cores esbranquiçadas

Cai neve densa e pura nos chãos de Paris

Há quanto tempo eu não a via tingindo de algodão todo o matiz

Da cidade inaudita em cachos de luz ténue desprendida

Frenesim que a torna maldita em seu furor já perdida

Neve fria cai tão bela e tão demente

Sob o olhar triste do dia de luz solar tão ausente

Cai neve numa paisagem citadina de cristalino cinzento

Repousa como penungem felina leve agitada pelo vento

Neve fria de desassossego em tanta ternura e carinho

Chega a dar tremura de medo de escorregar no caminho

Os passos gelados marcam nela cataratas de sedução

E quem passa por ela só pode sentir emoção

Tudo tão branco tão frio em claridade de esperança

E o coração tão vazio a lembrar quando criança

A neve doce cai serena nostalgia do passado

Chuva em pedaços amena fria de um choro agoniado

Quando cai neve cai solidão e o sentir aprisionado

Que estranha sensação esse choro desencadeado

De humidade em convulsão olhar assim congelado

Pela brancura do nevão nesse país revisitado

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

PROFETISA DE SAGRES...Paris 02.01.2009

Voltei ao chão varrido de brisa
A poeira a ladrilhar-me a alma
Corredia fugidia ao tempo ventania
Voltei ao lugar onde o chão desliza
Onde tudo cheira a fresco e maresia
Reina a paz o amor e a calma
Ermo sangrento de um silêncio absoluto
A terra debruçada sobre o mar
Os olhos tão negros de luto
A alma a soluçar
Daqui partiram naus e caravelas
As mais nobres árvores a boiar
Ficaram imortais em tuas telas
Quase todas foram a naufragar
Pedaço de chão tão nu de vida
De peito aberto sobre o oceano
Pontão de sonho e de partida
Sentimento nobre tão estranho
Mirante esquecido da natureza
Ermo sangrento de solidão
De ti muitos seguiram ao engano
Sem saberem sua razão
Desperto poder da realeza
Daqui não há lugar que se não veja
Promessa amarga de heroicidade
Quem parte já parte na incerteza
De nunca poder contar toda a verdade
No teu solo ergui minha vontade
De ver donzelas chorosas mulheres de luto negro
Carpindo sentidas essa dura saudade
Que lhes roi de esperança desditosas
E tenacidade sonho e medo
Azul de mar suas águas revoltosas
Voltei a Sagres prometida
O templo de que sou deusa mar e terra
Voltei a Sagres já sem vida
Daqui deste lugar não há saída
Daqui deste ermo chão da serra
Sou dona e senhora profetisa