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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Nós das Raízes

Há um tempo cravado na memória

Que tem a ferros os nós das raízes

É feito de falas de dizeres de história

Tem tonalidades nuances matizes

Ergue-se do chão em forma de terra

Ergue-se à solidão do vale cercado pela serra

Ergue-se de sonho esperança fortuna

Tem o corpo feito do dia e a alma prenhe pela noite soturna

Há um tempo de verdes prados hortas e cercanias

Aldeias de ruas escuras molhadas sombrias

Searas malhadas cheias de gente

No pino do calor ingrato e indiferente

No inferno dos Verões o milho e os feijões pedindo água

Mais o tempo do Inverno gélido a ferros castigado pela mágoa

Há um tempo pendendo no tronco desse tempo feito escravo

Tem as mãos libertas de nós soltos desatados

Há um tempo morrendo no tempo sem apelo nem agravo

À solta de manhãs despertas para dias consagrados

Na penúmbra de memórias guardando em sonho ilusão

Curvado à sua glória pelo peso da emoção

Há um tempo que clama a meiguice do passado

É chão de palavra é chama de sentidos

Terra de vento lavrada pela mão do arado

Feita força da vitória dos vencidos

Daqueles que cometeram a graça do pecado

Há um tempo de nós

Que me prende às raizes desta terra sem nome ausente

Que faz gritar a minha voz

Que me conta de tudo o que tu me dizes sem querer

Num bailado de melancolia sorridente

Que mata de palavras felizes toda a fome de viver

Apanha-me no caminho ainda trémula de andar dormente

Que tráz pela mão o absurdo de aí tanto querer morrer

Há um tempo de tudo de nós de todos de troncos de raízes

Caminhar dolente afiado cortante e agudo

Tempo de vidas de toda a gente feliz e infelizes

Indiferente

A tudo

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