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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Noite Felina

desta noite te dou o que veio até mim

os gritos da madrugada mansa

este negro que não tem mais fim

ferindo como uma lança /

o olhar dos felinos à solta rondando /

por telhados de insonolência

numa dança de palavras se soltando

e violinos mudos de involvência /

as cordas tangendo o prazer

a minha alma suspirando

sem ter mais nada pra fazer

só ficar nesta demência /

dar-se em palavras amando

de sentidos desprendidos

soltos da angústia do meu ser

tão dados e prometidos

que jamais posso morrer /

sem sentir esta tangência

entre o viver e o morrer /

e entre mim se ergue a dor

majestosa paliçada

tê-la no sangue é favor

tê-la na pele é nada /

tenho-a tão dentro da alma aberta

de todos que a vêm morar

tenho-a tão íntima e secreta

a quem a queira penetrar /

noite felina companheira

de tantos sonhos ardentes

cai-me o negro qual viseira

destes versos tão dementes /

sou felina por inteiro

rimas são meus telhados

este poema o primeiro

de muitos por mim caçados /

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