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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

OCULTA SOMBRA

na oculta sombra onde te sinto sou só a floresta virgem de tudo / fica o silêncio meditado no longe que trouxeste do negro mar / onde uma razão cambaleante se embrenha no insólito absurdo / fica o vazio procurado perto das clareiras límpidas a fumegar / todas as folhas secas pelo chão massacradas de passos já feridos / todas as húmidas gotas da solidão a humedecer como sentidos / e o corpo a proferir sentenças a largar amarras de todo o seu ser / a deixar por terra as desavenças como manto de flores a florescer / fresco húmus dessa beleza meiga onde eu me deito até morrer / vaza de mim seiva de tormentos e toda esta vontade de tudo querer / como se toda a alma fosse feita de momentos e o corpo só de prazer / como se a carne fosse terra chão duro de sentimentos e eu coração / como se toda a minha vida fosse gritos raiva incontida e sedução / fosse na floresta raiz espiritual que clama a vida tão conturbada / folha apenas pelo chão seca desfeita migalhas de vida feita nada / esvaída sangue linfa putrefacta esmorecida numa natureza morta / desfolhada de todos os sentidos em pétalas de mágoas e tristeza / rasgados todos os nervos cortados os pulsos a pele dura e a aorta / apetece-me fugir largar tudo abandonar-me sim com toda certeza /

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