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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Gazela Ferida

Vou contar-te um segredo mas não digas nada
Quando a noite desce clara sou gazela à solta
Vivo escondida e triste na floresta encantada
Vai-me procurar brilhante lua que te envolta
Nada temas e nem digas o que te diz meu segredo
Se olhares a clareira enevoada aí me encontrarás

Quieta e mansinha de olhar meigo de muito medo

Depois desse longo caminho que da tua vida farás

Nessa clareira eu vivo o meu destino disperso
Aninhada espero dentro da toca meu abrigo
Sou a gazela à solta como palavras em verso
À guarda das intempéries da caça e do perigo
Destino que te pede implora me venhas libertar
Rompas clareira à luz da lua em fúria e ousadia
Descobrindo o meu segredo que é este versejar
Gazela solta do medo por esta encantada poesia
Escuta na escuridão apinhada de silêncio e grito
Inferno que se solta abrigo dessa imensa solidão
Vou estar lá num poema sublinhado e a negrito
Emboscada de negra bruma sublimada de ilusão
Escuridão só minha em meus lábios a tremer
Gazela que tu procuras com seu olhar de sal
Corres a floresta louco sem saber o que fazer

Procurando o seu choro por sentir tanto mal

Na floresta escura ébria sem sentido clandestino
Vai pisando devagar essas folhas secas pelo chão
À procura de mim gazela guardando o teu destino
Como se fora ela a rosa desabrochando em botão
Mas a estranha floresta onde vivo é quimera
Perdida do tempo que não tem em mim lugar
Nunca tive Verão Outono Inverno Primavera
Sou apenas solitária gazela que se deita ao luar
Serão meus leves passos estações da tua sina

Quando choro lamento toda mágoa em gritos
Dor que fere tristeza e que num canto desatina
Espaço de duro silêncio que amarro de conflitos

Na húmida terra vou deixando meus passos

Gravados todos os lamentos de gazela ferida

E das folhas soltas eu vou desfazendo os laços

Que me têm atada à secreta noite desta vida

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